Um temporal com rajadas de vento de até 92,6 km/h bloqueou a Marginal Tietê e a Marginal Pinheiros em pelo menos dez pontos na madrugada deste sábado (12), em São Paulo. Os bloqueios foram liberados ao longo da tarde, mas duas pessoas seguem desaparecidas depois de serem arrastadas pela correnteza em Jandira, na Grande São Paulo.
A chuva começou na noite de sexta-feira (11) e se intensificou de madrugada, com o primeiro alerta severo emitido às 23h25.
Cidades da Grande São Paulo registraram volumes de chuva acima de 70 milímetros em poucas horas: 80 mm em Cotia e Diadema, 78 mm em Santana de Parnaíba e 77 mm na capital paulista.
O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura chegou a contar dez pontos intransitáveis pela manhã, concentrados nas pontes Bandeiras, Casa Verde e Freguesia do Ó, na Marginal Tietê, além da Ponte Atílio Fontana e do Complexo Viário do Cebolão, na Lapa.
A Marginal Pinheiros também teve faixas bloqueadas nos dois sentidos, na Rua Flórida e na Rua Andries Both. Um motorista relatou ter levado uma hora entre a Pompeia e a ponte da Casa Verde por causa do acúmulo de água.
O que aconteceu com os desaparecidos de Jandira
Em Jandira, três pessoas foram arrastadas pela correnteza na Avenida Antônio Bardella, na Vila Márcia, nesta manhã de sábado. Uma mulher de 32 anos tentava socorrer o irmão preso na enchente quando os dois foram levados pela água, junto com um terceiro homem.
Ela conseguiu se segurar em árvores na margem e foi resgatada. Os outros dois, de 32 e 33 anos, continuam desaparecidos; o Corpo de Bombeiros mantém buscas na região.
A Defesa Civil contabilizou mais de 25 ocorrências desde sexta-feira, entre quedas de árvores, deslizamentos de terra e danos estruturais. O balanço mais recente aponta 23 desabrigados e 66 desalojados no estado.
O tempo no estado é influenciado por um ciclone extratropical que se formará no Sul do país
A avaliação é da própria Defesa Civil, em boletim sobre a origem do sistema que atinge São Paulo. No mesmo período, a corporação também atuou no desabamento de um prédio embargado na Penha, na zona leste, que matou duas mulheres.
O volume de chuva também bate recorde recente. Setembro já acumula 154,8 mm na capital, 134,5% acima da média histórica de 66 mm para o mês inteiro.
É o segundo setembro mais chuvoso da série medida pelo CGE, atrás apenas de 2015, quando choveram 198,6 mm — e ainda faltam 18 dias para o mês terminar.
O sistema que castiga São Paulo é o mesmo que, dias antes, provocou dois tornados no Paraná, com danos a escolas e lavouras. O padrão reforça uma temporada fora da curva para tempestades severas no Sul e Sudeste em 2026.
Na semana anterior, outro sistema já havia deixado uma morte e cinco cidades catarinenses em emergência.
O que acontece agora
Segundo o CGE, não havia mais pontos ativos na Marginal Tietê a partir das 16h06 deste sábado. O gabinete de crise da Defesa Civil segue ativo, acompanhando o ciclone extratropical que atinge o Sul do país.


























