As exportações brasileiras de carne bovina para a China caíram 88,2% em agosto, para 18,9 mil toneladas, na comparação com agosto de 2025. A queda aconteceu porque o Brasil já usou quase toda a cota que a China libera para o país este ano.

A cota chinesa para carne bovina brasileira em 2026 é de 1,106 milhão de toneladas. Entre janeiro e agosto, o Brasil já havia embarcado 872 mil toneladas dentro desse limite. A proximidade do teto já derrubava os embarques em julho (-48%) e agosto (-27%).

No total, somando todos os destinos, as exportações de carne bovina somaram 233,5 mil toneladas em agosto, 22,2% a menos que no mesmo mês de 2025. A receita foi de US$ 1,36 bilhão, queda de 15,2%.

Depois que a cota se esgota, a carne brasileira enfrenta uma tarifa de 55% para continuar entrando na China, em vigor desde janeiro de 2026 para os países que superam o limite da salvaguarda chinesa.

No acumulado de 2026, o Brasil ainda exporta 5% mais carne bovina do que no mesmo período de 2025, mas essa folga vem encolhendo desde que a cota chinesa começou a se esgotar.

A Europa paga mais por corte nobre brasileiro, com um prêmio de 56% sobre o preço médio. Ainda assim, compra pouco: as três proteínas (bovina, frango e suína) somaram menos de 4% do total exportado pelo Brasil em 2025.

O que acontece agora

Uma alternativa é o mercado americano. Os EUA suspenderam por 90 dias a tarifa de 26,5% sobre a carne brasileira e reservaram ao Brasil 193 mil toneladas dentro de uma cota de 300 mil isentas de imposto, liberadas em parcelas mensais de 100 mil toneladas.