A Petrobras anunciou alta de R$ 0,19 por litro na gasolina para distribuidoras na noite de quarta-feira (9) e cancelou o reajuste horas depois, nesta quinta (10). Com o corte de tributos anunciado pelo governo no mesmo pacote, o preço final caiu R$ 0,19, para R$ 3,05 por litro, às vésperas de um pacote de R$ 7 bilhões por mês que vale até 9 de outubro, cinco dias após o 1º turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

Segundo a Agência Brasil, o novo pacote eleva para R$ 37,5 bilhões o gasto do governo com medidas de contenção do preço dos combustíveis desde março. Em agosto, o governo já havia liberado R$ 3,15 bilhões com o mesmo objetivo.

A subvenção de R$ 1 por litro ao diesel havia sido anunciada um dia antes, em 9 de setembro, dentro de um crédito extraordinário de R$ 6,6 bilhões.

A Petrobras havia dito, na noite de quarta, que manteria o reajuste e que o corte de tributos apenas evitaria alta na bomba. A mecânica original desse anúncio foi detalhada em outra reportagem da TV Sim Brasil, publicada antes do recuo da estatal.

O pacote de combustíveis e o calendário eleitoral de 2026 — conferido em 10/09/2026
DataEvento
10/09/2026Corte de tributos entra em vigor; Petrobras cancela o reajuste da véspera
04/10/20261º turno das eleições 2026
09/10/2026Fim da vigência do pacote de combustíveis
25/10/20262º turno, se houver

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, defende a medida como resposta a um choque externo. "Estamos fazendo uso do espaço fiscal de que dispomos, sem pedir espaço adicional", afirmou.

Críticos ouvidos por outros portais classificam o pacote como medida eleitoreira, questionam o custo futuro para as contas públicas e apontam que o subsídio à gasolina subiu 43% em relação ao patamar de maio, quando era de R$ 0,44 por litro.

O mecanismo lembra uma decisão do governo Jair Bolsonaro em 2022, quando tributos sobre combustíveis também foram reduzidos durante a campanha presidencial daquele ano. Governos diferentes recorreram à mesma fórmula, reduzir o preço do combustível pouco antes de o eleitor votar.

A Petrobras tem sua própria governança e faz suas escolhas de preço; aqui, o foco é sempre o preço final ao consumidor.

A frase é de Moretti, em resposta a perguntas sobre um possível acordo entre o governo e a Petrobras para o momento do reajuste. Ele negou qualquer combinação entre as partes.

O que o calendário mostra

O pacote cobre exatamente o período mais sensível da corrida eleitoral e termina cinco dias depois de o país escolher, ou não, um presidente já no primeiro turno. A pergunta que fica não é se o preço vai subir depois de 9 de outubro, mas se o alívio será renovado outra vez, como já aconteceu em março e em agosto.