Os Estados Unidos vão proibir a importação de laticínios, bebidas alcoólicas e motocicletas canadenses a partir de 29 de setembro, informou a Casa Branca nesta terça-feira (8). A medida aprofunda a guerra comercial entre os dois países, antigos aliados próximos.
Como a escalada aconteceu
Uma tarifa de 50% sobre colchões, lanchas e carrinhos de golfe canadenses passa a valer já em 15 de setembro. O Canadá, por sua vez, começou a retaliar em 8 de setembro, taxando cerca de US$ 20 bilhões em produtos americanos.
A lista canadense de retaliação inclui aço, laticínios, eletrodomésticos e equipamento agrícola dos EUA, além de itens do dia a dia como frutos do mar, queijo, roupas e cosméticos, com taxas de até 50%.
You're at war when you get attacked. We got attacked.
A frase é do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, em coletiva de imprensa. Ele também disse que o país vai acelerar esforços para reduzir a dependência econômica dos Estados Unidos, o principal parceiro comercial do Canadá há décadas.
Nem todo americano apoia a escalada. A senadora republicana Susan Collins, do Maine, estado na fronteira com o Canadá, alertou que a disputa vai prejudicar empresas e consumidores locais.
O padrão que o Brasil já conhece
O roteiro não é novo para quem acompanha o tarifaço que os EUA aplicaram ao Brasil. Ameaça, tarifa setorial e retaliação do país atingido formam a mesma sequência que se repete agora com o Canadá.
Produtos brasileiros como aço e alumínio seguem sob tarifa de 50%, e calçados, têxteis, móveis e máquinas enfrentam taxa efetiva de 37,5%. Café, carne bovina, petróleo e celulose ficaram isentos.
O impacto interno já apareceu por aqui. A fábrica de uma marca automotiva no Brasil cortou 4 mil vagas com a produção parada.
Na mesma disputa comercial, o governo americano chegou a ameaçar banir uma rival da Embraer do mercado dos EUA.
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O que fica em aberto
O calendário mostra que a escalada ainda tem mais duas datas à frente, dia 15 e dia 29 de setembro, antes de qualquer sinal de trégua entre os dois países.
Com o Brasil, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio já dura mais de um ano sem acordo à vista.
Se o padrão se repetir com o Canadá, a pergunta que fica é quanto tempo a disputa vai levar para render uma mesa de negociação, em vez de apenas mais uma rodada de taxas.


























