"Trump que se meta no país dele", disse nesta quarta-feira (9) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em comício na Arena Cahoot, em Teresina (PI). Ele afirmou que o Brasil vai reagir a qualquer tentativa de interferência dos Estados Unidos nas eleições de outubro.
O que motivou a fala de Lula
A fala repete a posição que Lula já defendia desde o encontro com Trump no G7, em junho, e um telefonema sobre tarifas em agosto. O gatilho mais recente foi o ato da oposição na Paulista, em 7 de setembro.
Apoiadores de Flávio Bolsonaro hastearam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel durante a execução do hino nacional no evento.
Que não venham os americanos influir nas nossas eleições. A gente sabe o que eles são capazes. E se eles vierem se meter aqui, a gente vai derrotá-los, os americanos e quem mais se meter.
Sobre quem levou a bandeira dos EUA à Paulista, Lula disse que essas pessoas são "vira-latas, traidores da pátria e que não têm nenhum compromisso com esse país".
Foi a segunda vez em três dias que o presidente usou o Sete de Setembro como gancho para criticar influência estrangeira na política brasileira.
Como o bolsonarismo reagiu
O deputado federal Eduardo Bolsonaro chamou a repercussão sobre a bandeira americana de "falsa polêmica". Para ele, o gesto foi um agradecimento a Trump, no mesmo espírito do tratado de aliança entre Estados Unidos e França de 1778.
Bolsonaro classificou a bandeira como "uma excelente estratégia", sem sinal de submissão ao país. Nem todo aliado concordou. O pastor Silas Malafaia, apoiador histórico da família Bolsonaro, criticou o mesmo símbolo no ato da Paulista.
O que acontece agora
A disputa entre os dois segue tensa nas pesquisas nacionais, mesmo com a repercussão do episódio da bandeira. Flávio Bolsonaro empatou com Lula no 1º turno em levantamento publicado nesta semana, mas no Piauí o cenário estadual é bem diferente.
Pesquisa AtlasIntel/MeioNorte, feita de 28 de agosto a 2 de setembro com 1.622 entrevistados, deu a Lula 68,3% contra 24,4% de Flávio no 2º turno no estado. A margem de erro é de 2 pontos, com registro TSE BR-03636/2026.
O embate entre os dois já passou pelo TSE. O tribunal suspendeu uma propaganda de Lula que respondia a Flávio Bolsonaro semanas atrás.
A tensão com Washington também segue no radar econômico. A aprovação de Trump caiu a 33% nos EUA, em meio ao desgaste da tarifa imposta a produtos brasileiros.


























