A Anvisa suspendeu nesta quarta-feira (2) a fabricação de produtos de limpeza na fábrica da Unilever em Vinhedo (SP), dona das marcas Omo, Brilhante e Cif. A medida seguiu uma inspeção feita entre 24 e 28 de agosto, que encontrou falhas nas boas práticas de fabricação.

Segundo a Anvisa, a fiscalização identificou falhas nos controles feitos durante a fabricação e antes da liberação dos produtos, além de deficiências no monitoramento da água usada na fábrica. A agência também apontou fragilidade na forma como a empresa investigava e corrigia problemas internos.

A inspeção foi conduzida em conjunto com a Vigilância Sanitária do estado de São Paulo e a de Vinhedo.

Os produtos já vendidos ficam impróprios para uso?

Não. A Anvisa afirma que não há evidência de contaminação microbiológica nem outros problemas nos lotes que já saíram da fábrica antes da suspensão. Por isso, a agência não determinou recolhimento, nem suspensão da venda ou do uso dos produtos já disponíveis no mercado.

A medida vale só para a produção na unidade de Vinhedo, e afeta a linha de saneantes fabricada ali: além de Omo, Brilhante e Cif, também as marcas Ala e Surf.

A Unilever foi procurada pela imprensa por e-mail na manhã desta quarta e não respondeu até a publicação desta matéria.

Por que essa suspensão chama atenção no mercado de limpeza?

A fiscalização de agora reabre uma disputa antiga. A própria Unilever apresentou denúncias à Anvisa e ao Senacon em outubro de 2025 e em março deste ano, alegando contaminação microbiológica em produtos da concorrente Tixan Ypê.

A Anvisa chegou a suspender a fabricação de 24 produtos da Ypê em maio, numa decisão revogada depois. A fábrica da Ypê só voltou a operar após passar por adequações cobradas pela agência.

Agora é a própria Unilever que enfrenta uma fábrica suspensa pelo mesmo órgão, por um motivo diferente. A Anvisa não confirmou contaminação no caso dela, apenas falhas nas boas práticas de fabricação.

A Ypê havia retomado a produção em maio, depois de ajustar a própria linha.