O ministro do STF André Mendonça abriu apuração para saber se o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, cometeu desobediência e obstrução de Justiça na investigação da fraude do INSS contra aposentados. Segundo o Metrópoles, depoimentos já colhidos não foram juntados aos autos e os relatórios periódicos exigidos por Mendonça não foram entregues.
Mendonça, relator do inquérito no STF, havia determinado há mais de um mês que a PF enviasse ao seu gabinete todos os documentos brutos da apuração. Também exigiu que qualquer mudança na equipe de investigadores fosse submetida à sua autorização prévia antes de valer.
A corporação chegou a transferir parte dos dados no início de agosto, depois de meses resistindo e de acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar a ordem sem sucesso.
Por que o atrito não terminou
O problema, para Mendonça, é que a entrega ficou pela metade. Depoimentos já colhidos não foram juntados aos autos, e os relatórios periódicos sobre o andamento da investigação, que ele havia determinado, também não chegaram ao gabinete. É esse descumprimento parcial que abriu a apuração por desobediência e obstrução.
Só falta chegar a ordem de prisão
A frase foi dita por Andrei Rodrigues a interlocutores, segundo o Metrópoles, em tom de crítica à pressão do STF sobre a corporação.
A disputa expõe quem, na prática, controla o ritmo de uma investigação que têm como alvo o filho do presidente da República. O caso do INSS apura fraude em larga escala contra aposentados e já levou à investigação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Nem todo mundo dentro da PF vê a exigência de Mendonça como legítima. Em agosto, 27 superintendentes regionais da corporação já haviam divulgado nota de apoio à direção de Andrei Rodrigues, ao interpretar as determinações do ministro como interferência indevida sobre a condução do trabalho policial.
Rodrigues está há cerca de 20 anos na PF. Delegado formado em Direito, com mestrado em Segurança Internacional na Espanha, ele coordenou a equipe de segurança de Lula na campanha eleitoral antes de ser indicado ao cargo pelo então futuro ministro da Justiça, Flávio Dino.
Relembre o caso
O atrito entre Mendonça e a cúpula da PF já rendeu nota de apoio de 27 superintendentes ao diretor-geral e uma reunião entre Mendonça e o ministro da Justiça para tentar um acordo, ambas em agosto. Na semana passada, a tensão levou a duas reuniões de emergência convocadas pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso, para conter a crise.
O que acontece agora
Mendonça vai decidir se a conduta de Rodrigues caracteriza desobediência e obstrução de Justiça de forma formal. Se confirmada, a apuração pode virar um novo capítulo do inquérito do INSS, agora tendo o próprio diretor-geral da PF como investigado.



























