O presidente do STF, Edson Fachin, fez duas reuniões de emergência em dois dias seguidos para conter uma crise entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça, relator dos inquéritos do INSS e do Banco Master.

Na segunda-feira (17), Fachin recebeu no STF o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Na terça (18), reuniu-se com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, desta vez na sede do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O que motivou o atrito

A tensão vem de três pontos de conflito entre a PF e o gabinete de Mendonça.

O primeiro é a demora. A corporação levou mais de sete meses para enviar ao ministro os dados da quebra de sigilo fiscal, bancário e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula.

Mendonça determinou a quebra de sigilo em dezembro do ano passado, dentro do inquérito sobre desvios que afetam aposentados e pensionistas do INSS.

O segundo ponto foi a troca da coordenação da equipe da PF responsável pela apuração do caso, decisão que o ministro do STF não recebeu bem.

O terceiro é mais grave. A Polícia Federal acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) contra decisões de Mendonça, por entender que elas invadiam a autonomia investigativa da corporação.

Como ficou depois das reuniões

Segundo interlocutores das duas conversas, a atmosfera \"melhorou muito\" depois dos encontros, com reforço de um \"diálogo aberto\" entre as partes.

A PF investiga a atuação da empresária Roberta Luchsinger e sua relação com Lulinha e com Marco Antônio Ribeiro.

A suspeita é que Lulinha possa ter ajudado Antônio Carlos Camilo Antunes, o \"Careca do INSS\", a fechar contratos com o governo federal.

Nenhum dos dois foi denunciado até o momento.

A crise chega em meio a outros episódios recentes envolvendo o entorno de Lulinha, incluindo o encontro do próprio presidente Lula com o advogado do filho no Palácio da Alvorada, nesta semana.