Um relatório da Polícia Federal aponta Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como destinatário de pagamentos e benefícios custeados por terceiros ligados ao empresário Cléber Ribas de Oliveira. Segundo o documento, revelado nesta segunda-feira (24) pelo Estadão, a lobista Roberta Luchsinger bancava uma casa usada por ele, com custo de cerca de R$ 100 mil por mês.
De acordo com a reportagem, Cléber Ribas pagou pelo menos R$ 2,5 milhões à empresa de Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. No mesmo período, empresas ligadas a ele somaram R$ 14,4 milhões e mais R$ 19,2 milhões em contratos públicos.
O relatório da PF registra ainda que Lulinha "participa de discussões sobre a condução dos negócios" do empresário, sem detalhar em que grau. Mensagens interceptadas pela PF mostram Roberta avisando que o custo da casa comprometia outros gastos, como o pagamento de passagens aéreas.
Ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de R$ 100 mil.
A frase é atribuída a Roberta em conversa de 2025 e consta do relatório citado pela reportagem.
Em outra troca de mensagens, de janeiro de 2024, Lulinha questiona a lobista sobre as finanças: "A gente tem grana pra bancar essas coisas? Vc q cuida das minhas finanças". Em outro momento, pede: "Emite a NF pro Cleber". As mensagens preservam a grafia original.
Que negócios estão sob suspeita?
A Polícia Federal apura Lulinha em dois inquéritos por suspeita de tráfico de influência. O primeiro trata da compra de insumos à base de Cannabis pelo Ministério da Saúde. O segundo, alvo do relatório desta semana, investiga contratos da Dataprev, estatal de tecnologia do governo.
A Dataprev nega ter contrato direto com as empresas de Cléber Ribas. O caso é o mais recente capítulo de uma investigação que já rendeu pedido do procurador-geral da República para que a apuração saia do Supremo Tribunal Federal e vá para a primeira instância.
No domingo (23), o presidente Lula afirmou que o filho vai ter que provar inocência nas investigações da PF.
Antes disso, mensagens obtidas pela PF já haviam ligado Lulinha à articulação de uma reunião do governador do Maranhão no Planalto, em outro episódio da mesma apuração.
Nos últimos dias, a oposição usou o caso como bandeira política: o senador Carlos Viana (PL-MG) cobrou, em ato no Mercado Central de Belo Horizonte, a instalação de uma CPMI para investigar Lulinha.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, nega qualquer irregularidade. Segundo ele, as suspeitas decorrem principalmente do fato de o cliente ser filho do presidente da República, não de provas concretas de crime.
A defesa de Cléber Ribas afirma que a contratação da empresa de Roberta Luchsinger "não guarda qualquer relação" com os contratos que ele mantém com órgãos do governo federal. O presidente Lula não é investigado no caso.
O que acontece agora
A Polícia Federal já pediu a abertura de um terceiro inquérito contra o mesmo grupo de suspeitos, ainda sem data prevista para análise. Segue também sem resposta o pedido da PGR para que a apuração deixe o STF e passe à primeira instância.





































