O preço do enxofre, matéria-prima do fertilizante fosfatado, subiu 1.225,6% entre janeiro de 2024 e julho de 2026 e chegou a US$ 1,2 mil por tonelada. A alta é puxada pela crise no Estreito de Ormuz, rota por onde passa boa parte do comércio mundial do insumo, e já eleva o custo da lavoura no Brasil.

Por que o Estreito de Ormuz afeta o Brasil?

O estreito concentra 49% do comércio mundial de enxofre, além de 34% do fluxo de ureia e 23% do de amônia. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome e é o 4º maior mercado do mundo, com 8% do consumo global.

Em 2025, o país trouxe por Ormuz cerca de 3 milhões de toneladas entre ureia, enxofre e MAP (monoamônio fosfato).

Entre fevereiro e abril deste ano, bloqueios retiveram 400 mil toneladas de enxofre em 10 navios e 800 mil toneladas de ureia em outras 17 embarcações.

A Mosaic viu a margem da linha de fosfatados cair de US$ 69 para US$ 22 por tonelada no 1º trimestre de 2026. O Ebitda recuou de US$ 122 milhões para US$ 79 milhões, com corte de 1 milhão de toneladas na produção anual.

A cada R$ 1 investido na subvenção do enxofre evitamos uma perda de R$ 15 na economia brasileira.

A frase é de Eduardo de Souza Monteiro, Country Manager da Mosaic no Brasil, dita no 13º Congresso Internacional Brasil 2026, em São Paulo, no dia 25 de agosto.

O que o setor está pedindo ao governo?

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) propôs uma Medida Provisória para subsidiar 85% da parcela do preço do enxofre acima de US$ 500 por tonelada. O benefício cai automaticamente se os preços internacionais recuarem.

A entidade estima que os R$ 2 bilhões em subvenção evitariam perdas de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões para a economia, por causa da queda de produtividade agrícola. O pedido é que o governo edite a MP ainda em setembro.

O governo já tentou negociar fornecedores alternativos de enxofre com outros países, pelo Itamaraty, pelo BNDES e pelo Ministério de Minas e Energia. A resposta recebida foi que não há disponibilidade no mercado mundial, diante do descompasso entre oferta e demanda.

O Brasil também tenta reduzir a dependência externa por outra via. Em agosto, o STF manteve um projeto de extração de potássio no Amazonas, outro insumo do fertilizante hoje quase todo importado.

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O aperto chega a um setor que já mostrava fôlego curto. A venda de máquinas agrícolas recuou 17,9% no ano.

Dias antes da crise do enxofre se agravar, o Banco do Brasil já havia começado a renegociar R$ 100 bilhões em dívidas rurais por outra Medida Provisória.

O ponto em aberto

A Medida Provisória pedida pelo setor não foi editada até o fechamento desta reportagem, e o prazo pedido é setembro. Sem o texto, o custo do enxofre segue recaindo sobre quem compra fertilizante agora, na reta final da preparação para a safra 2026/27.