Uma falha no sistema do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) fez os futuros de café arábica caírem quase 4% na bolsa ICE de Nova York nesta semana. O problema estava na contagem dos certificados de exportação do porto de Santos, principal porto de embarque do grão no país.
Como o erro aconteceu
No dia 24 de agosto, o dado parcial de exportação apontava 1,71 milhão de sacas de 60 kg embarcadas no mês. Dois dias depois, o Cecafé revisou o número para 2,94 milhões de sacas, uma correção de 1,23 milhão de sacas para cima.
A causa foi uma atualização automática no sistema que processa os certificados de exportação, serviço que dá ao mercado uma visão semanal do ritmo dos embarques. Vários certificados do porto de Santos ficaram de fora da contagem.
Percebi que os números estavam atipicamente baixos para esta época do ano e solicitei a suspensão da divulgação dos dados até que realizássemos uma verificação completa.
A frase é de Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, sobre o momento em que notou a distorção e pediu a pausa na publicação dos números até a checagem ser concluída.
O efeito no preço
Os futuros de café arábica caíram quase 4% no dia em que a revisão foi divulgada. Um dado que deveria só corrigir uma estatística de embarque acabou mexendo direto no preço que chega ao produtor brasileiro.
Na sexta-feira (28), o mercado recuperou parte da perda, com alta de 1%.
O caso reforça o papel dos números do Cecafé como termômetro semanal do mercado cafeeiro. Quando a entidade erra a contagem, o preço reage antes mesmo de qualquer mudança real na oferta de café disponível no mundo.
Agosto costuma ser mês decisivo para as exportações, porque a colheita se aproxima do fim e os produtores aceleram as vendas ao exterior.
Uma metodologia diferente, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), já apontava embarques em ritmo forte neste mês: 153,8 mil toneladas até o dia 24, com a média diária mais de 50% acima do mesmo período de 2025.
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A Secex mede por tonelada e o Cecafé por certificado de exportação em sacas, então os dois números não são diretamente comparáveis. Mas apontam na mesma direção: um agosto de embarques acelerados.
O ritmo forte acontece dentro de uma safra brasileira que caminha para recorde, enquanto a Colômbia perde espaço no mercado global de café.
Essa aceleração também tem explicação prática. Os armazéns de café brasileiros estão próximos do limite de capacidade, o que pressiona produtores a vender mesmo com preço em queda, para dar vazão à safra recorde de 2025/26, com colheita já superando 90% das lavouras.
O setor já observa a safra seguinte. Dados da própria Secex mostraram, no início de agosto, que a exportação da safra 2026/27 já começou 9,9% acima do ciclo anterior, com chuvas ameaçando o ritmo dos embarques.
O que acontece agora
O Cecafé não informou até quando pretende revisar retroativamente os boletins anteriores afetados pela falha, nem se o sistema de contagem vai mudar para evitar nova distorção.
O próximo boletim semanal de exportação é o parâmetro que o mercado vai observar para confirmar se os números voltaram a refletir o ritmo real dos embarques em Santos.


























