Onze dos 15 diretores da Polícia Federal colocaram os cargos à disposição nesta terça-feira (8), em carta que declara "total apoio" a Andrei Rodrigues, afastado da direção-geral da corporação pelo ministro André Mendonça, do STF. Os diretores também apoiam Leandro Almada, diretor de inteligência, igualmente afastado.
Os cargos foram colocados à disposição do diretor interino da PF, William Marcel Murad, que assumiu a corporação após o afastamento. Não assinaram o documento, além dos dois afastados, a corregedora-geral, Aletea Vega Marona Kunde, e o próprio Murad.
Mendonça afastou Andrei Rodrigues por "irregularidades" alegando ter sido alvo de monitoramento sistemático e ilegal pela unidade de inteligência da PF. Segundo o ministro, o monitoramento durou mais de 30 dias em agosto, com ao menos seis relatórios internos produzidos sobre ele.
Um desses documentos já havia sido contestado antes da carta de hoje: um relatório da PF sobre Mendonça não seguiu norma de inteligência, segundo apuração publicada na semana passada.
STF já caminha para confirmar o afastamento
A Segunda Turma do STF formou maioria nesta terça (8) para manter a decisão de Mendonça. Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam voto, somando três dos cinco votos do colegiado a favor de manter Rodrigues afastado.
O ministro Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu o julgamento. O pedido suspende a conclusão formal do caso, mas não anula os votos já registrados pelos colegas. A maioria para manter o afastamento já está formada, mesmo sem decisão final da Turma.
A carta dos diretores chega no mesmo dia em que o STF sinalizava referendar o afastamento. Onze das 15 chefias da corporação, quase três em cada quatro diretores, decidiram reagir em bloco mesmo com a Corte caminhando para confirmar a decisão.
Colocar o cargo à disposição não é pedido de demissão automático: cabe ao diretor-geral em exercício decidir se aceita a saída de cada signatário ou mantém os 11 diretores em suas funções.
Assine o Resumo do dia e receba de segunda a sábado, no seu e-mail, as notícias que você não pode perder.
Sem spam — você pode cancelar quando quiser.
O episódio é o mais recente capítulo de uma crise mais ampla entre ministros do STF, que já levou treze ex-ministros da Corte a cobrar apuração rigorosa dos fatos envolvidos.
A disputa virou munição para atos políticos rivais no 7 de Setembro, dias antes de a Segunda Turma voltar a discutir o caso Andrei Rodrigues nesta terça.
O que acontece agora
Com o pedido de vista de Gilmar Mendes, o julgamento no STF fica sem data para ser retomado. Enquanto isso, Murad segue como diretor-geral interino da PF, e Rodrigues e Almada permanecem afastados de suas funções.
























































