O frio que chegou ao Brasil na semana passada perde força a partir desta quarta-feira (9), dando lugar a uma massa de ar quente. Até sexta-feira (11), o Centro-Oeste registra máximas perto de 40°C, com picos de 44°C entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, segundo o serviço de meteorologia Meteored.

No mesmo período, o Sudeste tem máximas acima de 30°C. A virada é brusca: o Distrito Federal fechou agosto com 35,2°C na estação do Gama, temperatura recorde para o mês, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Por que o tempo muda tão rápido

A explicação está na Oscilação Antártica, que segue em fase negativa. Isso aumenta a chance de massas de ar frio se deslocarem da Antártida até a América do Sul, empurrando o ar quente que já estava sobre o país para outras regiões.

O resultado é esse vaivém: uma onda de frio chegou na semana do 7 de Setembro, e agora, poucos dias depois, o país volta ao calor. Segundo o Inmet, o El Niño também empurra as temperaturas para cima da média em boa parte do Brasil.

O outro lado: chuva de 200 mm no Sul

Enquanto o Centro-Oeste esquenta, o Sul se prepara para o oposto. A partir de quarta (9), o oeste de Santa Catarina e o Paraná devem ter temporais, granizo e rajadas de vento.

Na sexta (11), um novo ciclone extratropical deve se formar entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A chuva acumulada pode chegar a 200 mm em 48 horas no oeste catarinense e no centro-oeste paranaense.

O volume aumenta o risco de enchentes e deslizamentos, e pode interromper atividades agrícolas justo no início do plantio da safra 2026/27.

Não é um episódio isolado. O Cemaden projeta até 9 ondas de calor no Brasil até dezembro deste ano. Um estudo anterior já havia associado ondas de calor a 120 mil mortes no Brasil ao longo de 20 anos.

O que a TV Sim observa

O país vem alternando entre frio intenso, calor recorde e ciclone em janelas de poucos dias, um padrão que se repete desde o início de setembro.

Isso testa ao mesmo tempo a saúde de quem enfrenta 44°C no Centro-Oeste e a infraestrutura de cidades do Sul sob risco de enchente. A pergunta que fica é se a próxima virada de tempo vai encontrar essas regiões mais preparadas do que a anterior.