Minas Gerais registrou mais de 152 mil acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026, a 4ª maior marca entre os estados brasileiros, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Ananti). No último ano, 388 trabalhadores morreram no estado, quase uma morte por dia.
No mesmo período, o Brasil somou mais de 1,8 milhão de acidentes de trabalho. Só nos cinco primeiros meses de 2026, o Ministério do Trabalho registrou 222 mil ocorrências no país.
Nos últimos dez anos, a média nacional girou em torno de 750 mil acidentes por ano. No ano passado, foram 780 mil, com 3.440 mortes em todo o Brasil, segundo Calazans.
O superintendente regional do Trabalho em Minas Gerais atribuiu boa parte dos casos no estado a três setores: trabalho rural, mineração e construção civil.
Elevador, ônibus e talude: os acidentes que marcaram o ano
Calazans citou o desabamento de um talude sobre uma obra em Betim, que matou uma engenheira e três operários, e a queda de um elevador em Berlândia, que matou três trabalhadores. Ele lembrou ainda um caminhão que atropelou uma caminhonete dentro de uma mineradora.
Ele também lembrou o capotamento de um ônibus que levava 49 trabalhadores de São Paulo para colher cebola em Poços de Caldas, no qual dois morreram. Citou ainda um operário que caiu enquanto arrumava uma caixa d'água em Contagem.
"As pessoas saem de casa, com todo o amor, com todo o carinho, despede dos filhos, vai trabalhar e não não, porque às vezes aconteceu uma negligência, um incidente", disse Calazans.
Para o superintendente, parte dos acidentes de trânsito com moto, carro e ônibus a serviço do trabalho fica de fora das estatísticas oficiais.
"Pode ser que esses números que você trouxe, que eu estou trazendo para o seu público, estejam subnotificados, porque tem muitos acidentes de moto, de carro, de ônibus, que são classificados como trânsito", afirmou Calazans.
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Acidentes são mais masculinos, mas adoecimento atinge mais mulheres
Uma pesquisa citada no programa mostra que quase 75% dos acidentes de trabalho envolvem homens, concentrados sobretudo na indústria e na construção civil. Calazans explicou que o quadro se inverte quando o problema é o adoecimento no trabalho, como estresse e transtornos mentais.
"Aí nós temos aí 60, 70% são adoecimentos femininos, principalmente se a gente colocar também um fenômeno que o Ministério do Trabalho está atento, que é a menopausa", disse o superintendente.
Ele citou ainda acidentes domésticos subnotificados com diaristas, e acidentes em cozinhas de supermercados e restaurantes e em hospitais, com queimaduras, quedas e uso contínuo de seringas atingindo majoritariamente trabalhadoras mulheres.































