O mercado brasileiro de fusões e aquisições movimentou R$ 210,7 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, alta de 11% sobre o mesmo período de 2025. O número de operações, porém, caiu 31% no intervalo, para 834 negócios fechados, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (8) pela consultoria TTR Data.
Internet, Software & IT Services liderou em quantidade de negócios, com 140 operações, seguido por Real Estate, com 131. Somente em agosto foram 57 transações, movimentando R$ 12,6 bilhões.
Por segmento, o private equity registrou 56 transações e R$ 34,5 bilhões, queda de 13% no volume. O venture capital teve a retração mais forte: 134 rodadas e R$ 8,0 bilhões, 46% a menos em número de operações.
As aquisições de ativos somaram 205 negócios e R$ 37,9 bilhões, 8% abaixo do ano anterior.
Por que o número de negócios caiu?
"O que estamos vendo não é uma retração do mercado, mas um processo de filtragem. Tivemos menos deals, mas com um ticket bem maior", afirma Vitor Lourencini, vice-presidente da consultoria Acorn Advisory, que acompanha o setor de fusões e aquisições no país.
Segundo ele, o capital segue disponível, mas concentrado em empresas com escala comprovada, governança estruturada e capacidade demonstrada de gerar valor — o que explica por que menos negócios respondem por mais dinheiro.
Investidores dos Estados Unidos lideraram as compras de empresas brasileiras, com 87 aquisições, mas o número caiu 23% na comparação anual.
Do lado inverso, companhias brasileiras fecharam 11 negócios nos Estados Unidos e 7 na Colômbia. O país segue mais comprador do que alvo no cenário internacional.
O negócio que resume o ano
Poucas operações ilustram esse padrão melhor do que a venda dos 20 aeroportos da Motiva à mexicana Asur, concluída em 1º de setembro.
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A companhia recebeu R$ 5,187 bilhões em equity pela CPC, a holding que reunia os ativos aeroportuários no Brasil, Equador, Costa Rica e Curaçao.
A Asur também assumiu R$ 7,024 bilhões em dívida já existente nos ativos. Com o negócio, a Motiva deixou de vez o setor de aviação para se concentrar em rodovias, ferrovias e metrôs.
Outros negócios recentes seguem a mesma lógica de consolidação setorial: a GPS concluiu a compra da Uniflex, sua terceira aquisição em um mês, e a 3corações pagou R$ 800 milhões pela Yoki e pela Kitano, ambas vendidas pela General Mills.
Na ponta da assessoria, o BTG Pactual liderou o ranking financeiro, com 31 transações somando R$ 54,3 bilhões. Do lado jurídico, o escritório Mattos Filho assessorou 65 operações, no valor total de R$ 64 bilhões.
O que pode acelerar ou represar negócios
A incerteza sobre a alíquota final da reforma tributária é um dos fatores que consultorias do setor apontam como capazes de influenciar o ritmo de fusões e aquisições nos próximos meses.
O outro é o cronograma de extinção gradual de incentivos fiscais, previsto até 2033. Nenhum dos dois tem prazo de definição fechado até aqui.


























