A Turquia anunciou nesta sexta-feira (21) que pediu à Interpol a emissão de um alerta vermelho, mecanismo internacional para localizar e prender provisoriamente um suspeito, contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

O pedido integra um processo criminal turco que soma 35 investigados por genocídio, crimes contra a humanidade e tortura, ligado à interceptação israelense da Flotilha Global Sumud, em maio.

"Nosso Ministério da Justiça solicitou ao Ministério do Interior a emissão de alertas vermelhos", disse o ministro da Justiça turco.

O gabinete de Netanyahu rebateu: "A tentativa patética de intimidar os líderes e soldados de Israel não levará a lugar algum".

Por que o caso envolve brasileiros

A Global Sumud reunia cerca de 430 ativistas de 40 países, entre eles quatro brasileiros, rumo a Gaza com ajuda humanitária, quando foi interceptada por forças israelenses em águas internacionais, em 18 de maio.

Os detidos foram a advogada de direitos humanos Ariadne Teles, coordenadora da flotilha no Brasil, a ativista Beatriz Moreira, a desenvolvedora de software Thainara Rogério e o médico pediatra Cássio Pelegrini. Todos foram libertados dias depois.

Ao todo, os cerca de 430 ativistas da flotilha foram libertados por Israel em etapas, e parte do grupo embarcou em um voo para Istambul, na Turquia, primeiro país a recebê-los.

O Itamaraty classificou o tratamento dado pelas autoridades israelenses aos brasileiros como "degradante e humilhante" em nota emitida à época. "O governo brasileiro deplora o tratamento degradante e humilhante dispensado por autoridades israelenses", registrou o texto.

A pasta também chamou a interceptação em águas internacionais de "ação ilegal" e cobrou de Israel "pleno respeito aos direitos e à dignidade" dos detidos, citando a Convenção contra a Tortura. O tratamento mais duro foi atribuído ao ministro israelense Itamar Ben-Gvir.

Um alerta vermelho da Interpol não obriga a prisão automática de um chefe de governo, mas pede às polícias de outros países que o localizem e o detenham temporariamente caso ele viaje ao exterior, à espera de um pedido de extradição.