As chapas mais bem posicionadas nas pesquisas para a eleição de 2026 são, em sua maioria, formadas por homens autodeclarados brancos. Entre as pré-candidaturas à Presidência que lideram as pesquisas, nenhuma mulher disputa a cabeça de chapa e apenas um vice se declara pardo na Justiça Eleitoral, segundo levantamento do Correio Braziliense com dados do TSE.

O contraste é maior quando comparado à população em geral.

Segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, pardos são 45,3% dos brasileiros, o maior grupo racial do país pela primeira vez, e pretos somam 10,2%. Juntos, pardos e pretos passam da metade da população, enquanto os brancos são 43,5%.

Nenhuma das cinco chapas presidenciais mais bem posicionadas tem mulher na cabeça.

Lula (PT) manteve Geraldo Alckmin (PSB) como vice, repetindo a fórmula de 2022; os dois se declaram brancos no TSE.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas pesquisas, formou chapa com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), também branco.

Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) seguem perfil parecido.

O ex-governador de Goiás Caiado concorre novamente tendo como vice o presidente do partido, Gilberto Kassab, que ainda não tem registro com autodeclaração racial para 2026.

Já o ex-governador mineiro Zema, branco, compôs chapa com o senador Eduardo Girão, autodeclarado pardo, a única combinação com integrante pardo entre as candidaturas mais bem posicionadas à Presidência.

O estado que foge do padrão

O cenário se repete nos maiores colégios eleitorais do país.

Em São Paulo, a pesquisa mais recente aponta o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na liderança, seguido pelo ex-ministro Fernando Haddad (PT). Os dois se declaram brancos.

A única candidata preta entre os principais nomes, Vera Lúcia (PSTU), aparece distante dos líderes.

Em Minas Gerais, levantamento do Real Time Big Data de 30 de julho colocou Cleitinho Azevedo (Republicanos), Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT) como os três primeiros colocados. Todos se identificam como brancos.

No Rio de Janeiro, pesquisa do Paraná Pesquisas de 31 de julho traz Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos) na liderança, também os três brancos.

No Paraná, pesquisa Quaest de 27 de julho mostra o senador Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Rafael Greca (MDB) nas primeiras posições. Os três também se autodeclaram brancos perante o TSE.

A Bahia foge à regra.

Segundo a Paraná Pesquisas, o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) aparece entre os líderes autodeclarado branco, embora tenha se declarado pardo em 2022. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) se autodeclara indígena, e o candidato Ronaldo Mansur é registrado como pardo.

É o único dos estados analisados em que os três líderes pertencem a grupos raciais diferentes.

O quadro muda quando se olha para o conjunto dos candidatos, não só para o topo das pesquisas.

Entre os 8.229 registrados no TSE até a noite de 6 de agosto, 49,8% se autodeclaram negros (soma de pardos e pretos) e 34,9% são mulheres, bem mais próximo do perfil da população brasileira do que as chapas mais competitivas.

O prazo para os partidos concluírem o registro das candidaturas termina às 19h do dia 15 de agosto.