A campanha eleitoral de 2026 começa oficialmente neste domingo (16), quando Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos fazem os primeiros atos como candidatos à Presidência. Renan Santos abre em São Paulo, Zema em Montes Claros (MG) e Caiado em Goiás, os três nos estados onde construíram a própria carreira.

Renan Santos, do Missão, vai à Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro de São Paulo, onde estudou sem concluir o curso. A campanha espera cerca de 2 mil pessoas no evento, com discurso no salão nobre do prédio histórico, conhecido como Arcadas.

Romeu Zema, do Novo, larga em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, com visita ao Mercado Municipal da cidade. Ele vai ao lado do governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD-MG). Zema cumpriu dois mandatos como governador mineiro antes de disputar a Presidência.

Já Ronaldo Caiado, do PSD, confirmou o comício de largada em Goiás, mas a coordenação de campanha ainda não definiu o local exato. Natural de Anápolis (GO), Caiado governou o estado por dois mandatos e deixou o cargo em abril para concorrer.

Nenhum dos três lidera a corrida fora do próprio estado.

Por que os três aparecem atrás nas pesquisas

Segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada em 10 de agosto, Caiado tem 5% das intenções de voto no primeiro turno, Renan Santos 4% e Zema 3%, patamar igual ao do levantamento anterior, de 3 de agosto. Lula aparece com 40% e Flávio Bolsonaro, com 35%.

Outro instituto, o Real Time Big Data, mediu números diferentes em julho: Renan Santos com 9%, Caiado com 7% e Zema com 2%, também muito atrás de Lula. A pesquisa ouviu 2 mil pessoas, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

No cenário de segundo turno simulado pelo mesmo instituto, Caiado aparece tecnicamente empatado com Lula, 44% a 43%. Zema perde por 38% a 44%, e Renan Santos, por 35% a 44%.

"Existe uma diferença entre ser bem avaliado num estado e construir uma candidatura nacional", disse o analista político Juan Carlos Arruda à Gazeta do Povo. "Isso demanda tempo, presença nacional, alianças e uma narrativa."

O economista Alexandre Manoel, também ouvido pela reportagem da Gazeta do Povo, atribui parte da dificuldade ao espaço ocupado por Jair Bolsonaro entre o eleitorado de direita. "Bolsonaro consolidou uma relação com o eleitor que transcende propostas de governo", afirmou.

O cientista político Paulo Kramer aponta ainda o baixo reconhecimento nacional dos três fora de seus estados de origem. Caiado construiu carreira no Congresso, instituição de pouca visibilidade para o eleitor médio; Zema enfrenta, segundo Kramer, questões regionais de pobreza que limitam a expansão da candidatura pelo país.

Os três, no entanto, apostaram no mesmo movimento para a largada. Em vez de um palanque genérico em Brasília, escolheram o lugar que mais pesa na própria biografia política.

O que o cenário mostra ao eleitor

Três candidaturas de centro-direita disputam espaço abaixo de 10% cada uma. É um campo mais fragmentado do que em eleições recentes, quando um único nome costumava concentrar o voto de oposição fora do PT.

Para quem vota, o efeito prático é uma decisão mais aberta até outubro. Nenhum dos três consolidou, até agora, a posição de principal alternativa regional a Lula e a Flávio Bolsonaro.