Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia na segunda-feira (10) e já deixou 265 mortos, quase 500 desaparecidos e cerca de 3.500 feridos, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (13) pelo presidente Abelardo de la Espriella. É o terremoto mais mortal no país neste século.

O epicentro ficou em San José del Palmar, no departamento de Chocó, litoral do Pacífico colombiano, a cerca de 100 quilômetros de profundidade. Pereira, a 50 km dali, teve o maior número de mortes isoladas, com 47. Em Cali, 20 prédios desabaram.

Seis aeroportos chegaram a suspender operações. Não há risco de tsunami.

As equipes de resgate entraram na fase final das 72 horas mais críticas para achar sobreviventes com vida. "Estamos entrando na fase final. Isso não significa que não haverá sobreviventes depois, mas fica mais difícil", disse o prefeito de Cali, Alejandro Eder.

"Em nome do povo brasileiro, manifesto minha solidariedade ao povo colombiano, especialmente às famílias das vítimas e a todos os afetados pelos tremores. O Brasil permanece à disposição da Colômbia para prestar o apoio necessário", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Itamaraty confirmou que não há brasileiros identificados entre os afetados.

Segundo o Itamaraty, o chanceler brasileiro Mauro Vieira atendeu a um pedido do colombiano Omar Bula Escobar e determinou o envio de medicamentos, purificadores de água e alimentos à Colômbia.

A ajuda humanitária corre por fora das equipes de busca e resgate, que a Colômbia restringiu a apenas quatro países.

Quais países fazem o resgate

O governo colombiano aceitou equipes de resgate apenas dos Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel.

Os quatro têm certificação do Grupo Consultivo Internacional de Operações de Busca e Resgate (Insarag), segundo o chanceler Bula.

A oferta brasileira de equipe de resgate ficou fora dessa lista.

A escolha gerou acusação pública de critério ideológico, já que os quatro países aceitos são hoje alinhados politicamente ao governo do presidente colombiano Abelardo de la Espriella. Bula rejeitou a hipótese: "Não excluímos nenhum país."

Já Héctor Méndez, da equipe mexicana de resgate Topos Azteca, resumiu o temor sobre a disputa: "Se tentarmos politizar isso, estamos mal."

De la Espriella decretou três dias de luto nacional pelas vítimas e declarou emergência econômica no país, criando um fundo para canalizar doações nacionais e internacionais para a reconstrução de hospitais, escolas, estradas e aeroportos atingidos pelo tremor.

O critério que decide quem ajuda no resgate

O governo colombiano atribui a escolha dos quatro países só à certificação técnica do Insarag, e o chanceler Bula garante que nenhum país foi excluído.

Mas os quatro nomes coincidem com o alinhamento político de Bogotá, o que já rendeu acusação pública. Fica a dúvida: o filtro seria o mesmo diante de outro governo à frente do país afetado?