O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, se entregou à Polícia Federal na noite de quarta-feira (12), na Superintendência da corporação em Brasília. Ele era considerado o último foragido da Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025 pela Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A apuração aponta R$ 6,93 bilhões descontados indevidamente de mais de 4 milhões de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024.
Na fase de deflagração, foram cumpridos 211 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária em 13 estados e no Distrito Federal.
De acordo com a apuração, a arrecadação da Conafer com descontos associativos saltou de R$ 400 mil para R$ 277 milhões durante o período investigado.
O que diz a defesa de Lopes
Em nota, a Conafer negou que Lopes estivesse foragido. A entidade afirmou que ele se apresentaria à PF assim que tivesse acesso aos autos do processo e destacou que sempre houve intenção de se entregar.
A apresentação foi negociada ao longo de quarta-feira entre a defesa do dirigente e a Polícia Federal, e ele chegou à sede da corporação acompanhado de advogados.
Este não é o primeiro episódio de Lopes com a Justiça no âmbito da investigação. Em setembro de 2025, ele já havia sido preso em flagrante ao prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, suspeito de falso testemunho.
Ele foi liberado horas depois, após pagar fiança de R$ 5 mil.
Na ocasião, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, afirmou que a testemunha mentiu ao colegiado após se comprometer a dizer a verdade.
O tamanho do esquema apurado
O relatório final da CPMI do INSS, aprovado em março deste ano, pediu o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Lopes, o operador Maurício Camisotti e o apontado líder do esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".
A lista inclui ainda ex-presidentes do INSS, ex-ministros e três parlamentares. Para virarem réus, os indiciamentos dependem de denúncia do Ministério Público e aceitação da Justiça.














