O MST e o Levante Popular da Juventude picharam nesta quinta-feira (13) o muro da embaixada dos Estados Unidos em Brasília com a frase "Os EUA fazem guerra e lucram com a morte", em protesto contra a política externa do governo de Donald Trump. A embaixada classificou o ato como inaceitável e disse cooperar com as autoridades locais.

A ação aconteceu na manhã de quinta-feira, com o perímetro em frente ao prédio isolado por volta das 10h, segundo o Metrópoles. Os manifestantes escreveram a frase em português e em inglês ("The USA makes war and profits from death") e ergueram um cartaz no chão com os dizeres "Indústria da guerra dos EUA = mortes, fome e destruição da natureza". Houve ainda um princípio de incêndio na grama entre a calçada e o muro, já controlado.

Em nota, a embaixada dos Estados Unidos informou que "tais atos são inaceitáveis, e estamos trabalhando com as autoridades locais". A Polícia Civil do Distrito Federal apura o caso pela 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul, e suspeita de vários autores pela quantidade de material espalhado no local. Câmeras de segurança da região serão requisitadas para tentar identificar os responsáveis.

O que o MST diz sobre o protesto

Segundo o MST, a ação foi "coletiva e pacífica" e teve como alvo "a indústria da guerra e as políticas imperialistas dos EUA", que o movimento responsabiliza por mortes, fome e sanções a povos latino-americanos, conforme nota reproduzida pela Gazeta do Povo. O movimento não detalhou se planeja novas manifestações.

A pichação ocorre num momento de forte tensão entre os governos brasileiro e americano. Em 15 de julho, o governo Trump confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde 22 de julho. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) excluiu mais de 2.100 produtos da lista após audiências públicas, incluindo carne bovina e café.

Trump também revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi tomada em meio à demora do governo brasileiro para aprovar o republicano Daniel Perez como novo embaixador dos EUA em Brasília.

É nesse cenário de atrito comercial e diplomático que a embaixada americana virou alvo do protesto. Nenhuma outra representação diplomática em Brasília registrou ocorrência semelhante nesta quinta-feira.

O ponto em aberto

A pichação chega num momento em que o tarifaço e a disputa por vistos diplomáticos já tensionam a relação entre os dois países. Falta saber se o episódio vai pesar nas tratativas em curso entre Brasília e Washington ou ficará restrito a um incidente pontual de segurança.