O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou nesta quarta-feira (12) ter pedido a cobrança de ICMS sobre compras internacionais, a chamada "taxa das blusinhas". Em entrevista à CNN, ele rebateu a versão dada dois dias antes pelo candidato adversário, Fernando Haddad (PT).
"Nunca falei com Haddad sobre cobrança de ICMS. É anterior, colocaram o jabuti na lei do Mover", disse Tarcísio, referindo-se ao Programa Mover, de incentivo à indústria automotiva.
A entrevista foi a segunda de uma série da CNN Brasil com candidatos ao governo de São Paulo. Tarcísio disputa a reeleição contra Haddad, ex-ministro da Fazenda.
O que Haddad disse antes
Dois dias antes, em entrevista à mesma emissora, Haddad havia negado ser o responsável pela criação da taxa. Segundo ele, a medida foi um pedido do varejo nacional, não uma iniciativa do governo federal.
"Qual o objetivo disso? Não era arrecadatório. Era um pedido do varejo nacional para equilibrar o que é vendido numa loja e o que vem de fora. Não tem nada a ver comigo", declarou Haddad.
Ele também afirmou que o presidente Lula não queria a cobrança federal e que a proposta partiu do Congresso Nacional. "O presidente Lula não queria e ainda falou: vou vetar se vocês aprovarem", disse.
Haddad foi além. Ele disse ter sido procurado por governadores, entre eles Tarcísio, para cobrar ICMS sobre as importações. "Tanto é verdade que os governadores mantêm", afirmou.
A resposta de Tarcísio
Tarcísio rejeitou a versão de que teria conversado com Haddad sobre o assunto e devolveu a crítica ao adversário.
"Se ele não quisesse, ele não sancionava. Agora, em período eleitoral, manda uma MP", disse o governador, sugerindo que a iniciativa recente de mudar a cobrança tem motivação de campanha.
Na mesma entrevista, Tarcísio tratou das câmeras corporais na Polícia Militar, outro tema sensível de sua gestão. Ele reconheceu ter mudado de posição desde 2024, quando era contrário ao uso do equipamento.
"Estava completamente equivocado", afirmou, citando o caso de dezembro daquele ano em que um policial jogou um homem de uma ponte.
O que está em jogo para o eleitor paulista
A disputa pelo governo de São Paulo já emplacou um episódio de acusações cruzadas antes mesmo do início oficial da propaganda eleitoral, marcada para o fim de agosto. O eleitor fica, por ora, com duas versões que se excluem sobre quem pediu a taxa.
Nenhum dos dois lados apresentou, até esta quinta-feira, documento ou registro que comprove a conversa que um nega e o outro afirma ter existido.














