Um estudo com 26.811 estudantes chineses de 12 a 18 anos mostrou que usar inteligência artificial para fazer a lição de casa melhora a nota do próprio dever em 18%, mas derruba o desempenho em provas em até 24% a partir de seis meses depois.

A pesquisa acompanhou os alunos por 30 meses, entre 2022 e 2025, em nove disciplinas. Assinam o estudo David Strömberg, da Universidade de Estocolmo, com Victor Lei e Yanhui Wu, da Universidade de Hong Kong.

O efeito imediato é sedutor: o tempo gasto na lição cai 30%, e a nota do próprio dever de casa sobe 18%.

O problema aparece depois. Na comparação com quem não usa IA, a nota em provas cai 20%. No exame de admissão ao ensino médio, a queda chega a 24%. No vestibular, a 18%.

Por que o efeito se inverte com o tempo

A explicação dos pesquisadores está na forma de uso. O prejuízo aparece entre quem terceiriza a lição de casa para a IA, sem diálogo.

Quando o aluno usa a ferramenta como parceira de estudo, questionando e revisando as respostas, o efeito se inverte: a nota sobe 18% na comparação com quem não usa IA nenhuma.

Segundo os autores, os estudantes que terceirizam a tarefa retêm menos informação sobre o conteúdo estudado. Isso compromete a capacidade de aprender o próximo assunto, que depende do que ficou da matéria anterior.

O mesmo efeito também aparece no Brasil

Um estudo menor do professor André Barcaui, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), encontrou resultado parecido com universitários brasileiros.

Barcaui dividiu 120 alunos em dois grupos: metade estudou e preparou trabalhos com ChatGPT, a outra metade usou métodos tradicionais.

Na prova surpresa aplicada depois, o grupo que usou ChatGPT tirou média 5,75. O grupo sem IA tirou 6,85, mesmo tendo dedicado bem mais tempo ao conteúdo: 5,8 horas de estudo, contra 3,2 horas do grupo com IA.

Segundo Barcaui, o uso irrestrito do ChatGPT prejudicou a retenção de longo prazo, provavelmente por reduzir o esforço mental necessário para fixar a memória.