O Ibovespa fechou nesta terça-feira (11) em queda de 2,50%, aos 167.874 pontos, a sexta sessão consecutiva de perdas. No mesmo pregão, o dólar subiu 0,98% e chegou a R$ 5,178 na manhã desta quarta-feira (12), maior valor em semanas.

O índice está 15,5% abaixo da máxima das últimas 52 semanas. Segundo o analista técnico Rodrigo Paz (CNPI-T), "o fechamento próximo da mínima, combinado à aceleração das perdas, evidencia o fortalecimento da pressão vendedora".

Em nota a clientes, o banco J.P. Morgan afirmou que "as contas fiscais do Brasil parecem cada vez mais tensionadas à medida que as eleições presidenciais de outubro de 2026 se aproximam". A recomendação do banco é reduzir a exposição a ativos brasileiros.

A saída de capital estrangeiro da bolsa se intensificou neste mês. Já são R$ 7,2 bilhões retirados em agosto.

O que pesa além do risco eleitoral

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada após a decisão de agosto, teve tom mais duro do que o mercado esperava. O colegiado cortou a Selic para 14,00%, o quarto corte seguido.

Mas afirmou que "a batalha contra a inflação está longe de terminar".

Na prática, isso sinaliza juros altos por mais tempo do que investidores vinham precificando. Juros mais altos tendem a puxar recursos da bolsa para a renda fixa.

Do lado externo, o índice de inflação ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos referente a julho veio em linha com o esperado. A alta foi de 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses.

O dado aliviou parte da pressão sobre os juros americanos. Mas não foi suficiente para conter a cautela dos investidores com o Brasil.

No Brasil, os dados de serviços de junho superaram as expectativas do mercado. Ainda assim, analistas leem o resultado como sinal de perda de força do setor, não de aceleração da economia.

Some-se a isso o próprio calendário eleitoral. Com a campanha oficial começando em 16 de agosto e o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o mercado tende a reagir a cada novo dado de pesquisa e a cada sinalização fiscal dos presidenciáveis até lá.

Como fica o investidor nos próximos dias

O Ibovespa tenta recuperar os 168 mil pontos nesta quarta-feira, com o dólar oscilando entre R$ 5,098 e R$ 5,178.

Dois fatores seguem no radar do mercado: o calendário eleitoral, que se estende até outubro, e o próximo posicionamento do Copom sobre o ritmo de cortes da Selic.

Nenhum dos dois deve se resolver no curto prazo.