O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior e o quarto recorde consecutivo desde que o crime passou a ser contabilizado separadamente, em 2015. Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em 23 de julho.

Minas Gerais é o segundo colocado no país

Minas Gerais somou 177 feminicídios em 2025, ante 169 no ano anterior — alta de 4,4% — e ficou em segundo lugar entre os estados em número absoluto de casos, atrás apenas de São Paulo. A taxa mineira, de 1,6 morte por 100 mil mulheres, superou a média nacional de 1,4. Em dez anos, o estado acumulou alta de 32% na série histórica. O anuário também mostra que a fatia das mortes femininas classificadas como feminicídio em Minas subiu de 48,3%, em 2024, para 57,8% em 2025.

No país, o anuário aponta que 96,4% dos agressores eram homens, e 79,8% eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas. As mulheres negras foram 65,1% das vítimas, e 62,5% dos crimes ocorreram dentro da própria casa da vítima. Em 44,4% dos casos de mulheres assassinadas em 2025, a motivação foi identificada como de gênero.

Sinais de alerta ignorados

Segundo o FBSP, cada feminicídio em 2025 foi acompanhado, em média, por quase 502 registros de ameaça, 182 lesões corporais dolosas, 84 descumprimentos de medida protetiva e 79 casos de perseguição (stalking) contabilizados no país. Ainda assim, 70 mulheres — 11% das vítimas — foram mortas mesmo com medida protetiva em vigor, e os descumprimentos de medidas protetivas cresceram 16,7% em relação a 2024.

O levantamento ainda mostra que cidades com até 100 mil habitantes concentram cerca de metade dos feminicídios do país, mas apenas 5% delas têm Delegacia de Defesa da Mulher e 3% contam com Casa Abrigo.