Cerca de 50 pessoas invadiram a faixa de domínio da CPTM e atearam fogo em entulhos e pneus sobre a Linha 12-Safira nesta sexta-feira (18), na Avenida Doutor Assis Ribeiro, no Cangaíba, Zona Leste de São Paulo. Os trens ficaram parados por 1h40.

A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados. A CPTM pediu desculpas pelo transtorno e reorganizou a circulação em dois trechos separados enquanto durou a interrupção.

Não é a primeira vez que moradores da periferia paulistana recorrem aos trilhos da CPTM para chamar atenção para a falta de moradia.

Em maio de 2025, moradores remanescentes da Favela do Moinho, no centro da cidade, bloquearam três linhas da CPTM (7-Rubi, 8-Diamante e 13-Jade) em protesto contra o início da demolição de casas.

O método usado foi o mesmo de hoje. Invadir a via e atear fogo sobre os trilhos.

Na época, 752 famílias já haviam aderido ao processo de reassentamento da Favela do Moinho, 88% do total de moradores. Segundo a Secretaria de Habitação do estado, 168 famílias já haviam sido remanejadas para novos endereços.

O tamanho do problema por trás dos protestos

São Paulo tem um déficit habitacional de 474.345 imóveis, segundo levantamento da Fundação João Pinheiro, número que corresponde a cerca de 1,8 milhão de pessoas vivendo em condições precárias de moradia na capital.

A Prefeitura de São Paulo destinou R$ 5,56 bilhões à política habitacional em 2025, com previsão de R$ 6,65 bilhões para 2026. Entre 2025 e fevereiro deste ano, 7.099 famílias conquistaram a casa própria pelos programas da cidade.

O ritmo de entrega, porém, segue muito abaixo do tamanho da fila. Ao ritmo atual, o déficit segue medido em centenas de milhares de imóveis, o que ajuda a explicar por que a via férrea virou palco de protesto mais de uma vez.

O ponto em aberto

Nem a Prefeitura nem o Governo do Estado se pronunciaram, até a publicação desta reportagem, sobre a reivindicação específica do protesto desta sexta.

Os números, porém, sugerem uma pergunta. Quantas vezes mais os trilhos da CPTM vão parar até que o ritmo de entrega de moradia alcance o tamanho da fila?