O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, anunciou nesta quinta-feira (17) que vai recrutar voluntários para fiscalizar as urnas eletrônicas nas eleições de outubro. Um site vai cadastrar e treinar os interessados, que atuarão sobretudo no momento em que a urna fecha.

A gente vai recrutar, as pessoas vão poder se inscrever, vão ser credenciadas, vai ter um rápido ensinamento como é que faz para a gente fazer a fiscalização das urnas, em especial no momento que a urna fechou. A gente tem que ter gente nossa pelo Brasil inteiro fiscalizando para evitar que pessoas mal-intencionadas votem no lugar de outras e façam alguns tipos de atitudes ilegais.

Disse Flávio Bolsonaro, em transmissão ao vivo na noite de quinta-feira (17).

A estratégia repete um discurso recorrente do PL: Jair Bolsonaro alegou fraude nas urnas sem provas em campanhas anteriores. O senador concentra boa parte da campanha no Sudeste, região com 42% do eleitorado do país.

A legislação eleitoral já autoriza partidos, federações e coligações a credenciar representantes para acompanhar a votação e a apuração em cada seção, conforme normas da Justiça Eleitoral. É esse canal oficial, não uma rede paralela, que hoje autoriza alguém na sala de votação.

Como as urnas já são fiscalizadas

O sistema eleitoral já soma 40 oportunidades de fiscalização e auditoria, segundo o TSE, da inspeção do código-fonte dos softwares ao teste de integridade das urnas antes da votação, com participação de auditores, partidos e entidades técnicas.

A identificação biométrica volta a valer em todas as seções eleitorais do país em 2026, mas não é obrigatória: quem está com o título regular pode votar sem o cadastro biométrico, mediante apresentação de documento de identificação.

A urna também emite a zerésima, que comprova que a votação começa sem nenhum voto registrado, e imprime o boletim de urna ao final, usado por partidos e fiscais para conferir o resultado da seção.

O que muda com a iniciativa de Flávio

O que Flávio propõe é uma rede de voluntários organizada pela própria campanha, fora da estrutura formal de fiscalização partidária que já existe hoje.

Ele não detalhou quando o site entra no ar, quantas pessoas pretende credenciar nem como pretende garantir acesso dos voluntários às seções eleitorais no dia do pleito.

Quem quiser atuar como fiscal pela via oficial pode procurar diretamente o partido de sua preferência, que faz o credenciamento junto à Justiça Eleitoral antes da votação de outubro. O TSE também reformulou a página que combate desinformação sobre o processo eleitoral.