O catarinense Paulo Ricardo Dutra, de 24 anos, morreu na guerra da Ucrânia após pisar em uma mina terrestre enquanto atuava como socorrista no front. Ele trabalhava em loja de materiais de construção em São Francisco do Sul (SC) antes de ir para o conflito.

Antes de embarcar, ele havia morado na Espanha, onde tentou se alistar no Exército espanhol sem sucesso. De volta ao Brasil para tratar um problema odontológico, foi contatado por um recrutador pela internet que o convidou a lutar na Ucrânia.

Barrado no Exército espanhol, ele encontrou na internet um jeito mais rápido de vestir farda, alistando-se como estrangeiro em uma guerra real.

Paulo Ricardo Dutra chegou à Ucrânia em 11 de junho deste ano.

No front, o catarinense atuava como socorrista, função que consistia em prestar os primeiros atendimentos a combatentes feridos. Ele perdeu parte de uma das pernas ao pisar na mina terrestre e morreu por perda de sangue, antes que a equipe conseguisse resgatá-lo.

"O Paulo era um menino bom, tranquilo, tinha a personalidade dele, mas era um guri muito tranquilo, nunca tinha se envolvido em uma briga, nada."

"Não tinha problema nenhum com Justiça, com nada. Era um ótimo sobrinho, um bom filho, um ótimo amigo", declarou o tio, Josué do Amaral.

Ele era o cara que fazia o socorro e o pessoal não conseguiu socorrer ele, mas ele conseguiu conversar com o pessoal ainda. Ele pediu para mandar um abraço para a mãe dele, para nós.

A morte do catarinense foi confirmada à família por colegas de combate no último domingo (13).

Dutra é um dos ao menos 22 brasileiros mortos na guerra da Ucrânia, segundo balanço do Itamaraty divulgado em fevereiro. O mesmo levantamento contabiliza outros 45 brasileiros desaparecidos em combate no conflito.

Somando os dois números, o total passa de 50, segundo dados da embaixada da Ucrânia no Brasil. Em nota, o Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Kiev "tem conhecimento do caso e está em contato com a família, a quem presta assistência consular".

O órgão informou ainda que busca, junto às autoridades locais, confirmações oficiais sobre a morte, que não foi reconhecida oficialmente pelo governo ucraniano.

A morte de Dutra ocorre em meio à escalada do conflito. A Rússia testa os limites da Otan no Báltico enquanto o Kremlin resiste a propostas de trégua.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chegou a propor trégua à Rússia para proteger grãos e energia.

Nos bastidores, negociadores dos EUA levam a Moscou um plano que exige reduzir o Exército ucraniano.

O que acontece agora

O corpo de Dutra segue na Ucrânia, sem previsão de traslado ao Brasil por razões de segurança, e a morte ainda não foi reconhecida pelo governo ucraniano. A Embaixada brasileira em Kiev mantém contato com as autoridades locais.