O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta terça e quarta-feira (15 e 16) para decidir se corta a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Seria o quinto corte seguido de 0,25 ponto percentual desde março, quando a taxa começou a cair do pico de 15%.
A aposta em um novo corte ganhou força depois que o IBGE divulgou deflação de 0,32% em agosto, a maior queda de preços em quatro anos. Opções negociadas na B3 já precificam 95% de chance de corte nesta reunião.
O boletim Focus, do Banco Central, mantém a mediana da Selic para o fim de 2026 em 13,75% há cinco semanas seguidas.
O mercado não espera surpresa.
Quem sente o corte no bolso
Juros mais baixos tendem a baratear empréstimos e financiamentos atrelados à Selic, o que pode levar famílias a antecipar compras e empresas a retomar projetos represados. Mas o efeito não é automático.
O preço do crédito de longo prazo, como financiamento imobiliário, depende também da expectativa de inflação, do nível da dívida pública e da política fiscal.
Um corte de 0,25 ponto não garante juro menor no banco na semana seguinte.
Na poupança, a régua é outra. A remuneração só muda de fórmula se a Selic cair para 8,5% ao ano ou menos, patamar bem abaixo da taxa esperada para o fim deste ciclo.
Quem vive de renda fixa perde rendimento a cada corte, mas ainda não perde a regra da poupança.
O limite que a dívida pública impõe
A dívida pública bruta do Brasil subiu de R$ 7 trilhões para quase R$ 11 trilhões em cinco anos. O pagamento de juros sobre essa dívida consome hoje cerca de 9% do PIB por ano.
É esse peso que faz cada corte de 0,25 ponto valer bem menos do que parece para o caixa do governo. A Selic cai, mas a base sobre a qual ela incide já cresceu demais para o alívio ser proporcional.
O que fica em aberto
O Copom já cortou a Selic quatro vezes seguidas neste ciclo sem que isso reduzisse o peso dos juros sobre o Orçamento na mesma proporção. A dívida bruta segue subindo mais rápido do que os cortes conseguem compensar.
Isso significa que o espaço para o Banco Central continuar cortando juros depende menos da inflação controlada e mais de o governo conseguir estabilizar o tamanho da própria dívida. Sem isso, o ciclo de corte pode parar antes do que o mercado espera.


























