O candidato ao Senado por Minas Gerais Arcanjo Pimenta (MDB) defendeu que a Cemig fique fora do pacote de ativos que o Estado ofereceu à União para quitar a dívida de cerca de R$ 157 bilhões pelo Propag. Ele disse ainda que vai lutar para reverter a privatização da Copasa, hoje alvo de críticas por falta de água em Belo Horizonte.
Como funciona o Propag, segundo o candidato
Pimenta comparou a situação de Minas Gerais a uma pessoa endividada no cartão de crédito.
"Imagina que você tem um cartão de crédito e você deve hoje, deve muito o cartão de crédito, é o caso de Minas Gerais. (...) Você não tem como pintar sua casa, comprar um móvel novo, não tem como você viajar com a sua família, porque você está endividado," comparou.
Segundo ele, o Estado aderiu ao Propag, negociado no Senado com participação do senador Rodrigo Pacheco, optando pela modalidade sem juros, com 20% de entrada. Para essa entrada, o governo ofereceu à União ativos como prédios da Cemig e da Codemig.
O modelo, segundo Pimenta, não prevê venda dos ativos oferecidos como entrada. O governo federal ficaria com as empresas, sem privatizá-las, enquanto o restante da dívida seguiria sendo pago em parcelas crescentes até alcançar 100% da prestação no quinto ano.
O candidato mencionou que o governo apresentou cerca de R$ 90 bilhões em ativos para essa entrada, valor que citou de forma aproximada ao longo da entrevista.
Cemig fora do pacote, críticas à privatização da Copasa
Questionado se defende manter a Cemig entre os ativos oferecidos à União, Pimenta foi direto.
"Eu vou defender que a Cemig não esteja nesse ativo. Eu defendo que ela não esteja nesse ativo. Ela não vai entrar nesse pacote," disse, defendendo que a estatal energética fique de fora da negociação da dívida.
A pergunta seguinte partiu de declaração citada pela entrevistadora: o candidato do PT ao governo de Minas, Patrus Ananias, afirmou publicamente que pretende tentar reverter a privatização da Copasa, vendida à iniciativa privada.
Pimenta criticou o processo que resultou na venda, aprovada pela Assembleia Legislativa sem consulta popular.
"Eu achei uma questão muito arbitrária, que a sociedade não foi ouvida," disse, sobre a mudança na Constituição estadual que dispensou o plebiscito para a venda da companhia.
Ele ligou a falta de água registrada em Belo Horizonte à privatização, embora não tenha citado o nome da empresa que administra a Copasa hoje.
"Isso não é nem o início. A mesma que está em São Paulo dando problema é a mesma que ganhou aqui. Então nós vamos ter muitos problemas," afirmou, prometendo lutar por uma reversão caso eleito.



























