O candidato ao Senado por Minas Gerais Arcanjo Pimenta (MDB) afirmou que os cerca de 2% registrados para sua candidatura na pesquisa Quest refletem a identificação da população negra com a campanha. Ele disse que pretende representar 59% de negros e pardos do estado, algo inédito, segundo ele, para um partido de centro em Minas Gerais.

Trajetória ligada ao movimento negro

Pimenta é advogado, empresário e presidente do MDB Afro em Minas Gerais. Ele contou que nasceu em Belo Horizonte e foi criado na casa da família, que funcionava como ponto de encontro de lideranças negras durante a ditadura militar.

"Fui criada aqui na rua Tenente Garro 351, que era um centro de referência de lideranças negras e não negras que discutia a pauta da questão social desse país," contou o candidato.

Segundo ele, a mãe reunia companheiros de militância na própria casa, driblando a perseguição da época. O avô foi "o primeiro coronel negro, poliglota" do país, com participação na construção da Frente Negra Brasileira, segundo Pimenta.

A biblioteca da família, disse o candidato, reunia 2.836 livros, dos quais 833 relacionados à questão racial e à história da África.

Segundo ele, nos anos 1970 lideranças nacionais do movimento negro se reuniam nesse endereço para discutir pautas como cotas e o ensino da história africana, hoje presentes no currículo escolar. A militância política começou cedo.

Pimenta disse ter participado, aos 17 anos, da campanha de Itamar ao Senado em 1978, período de eleição indireta na ditadura, e da campanha de Tancredo ao governo de Minas em 1982.

"Estamos furando a bolha", diz candidato sobre 2% na pesquisa

Questionado sobre o resultado de cerca de 2% na pesquisa Quest, Pimenta disse enxergar o número como um avanço, não um revés. A entrevista não detalhou contratante, período de campo, número de entrevistados ou margem de erro da pesquisa.

"Eu acho que a comunidade negra e aqueles que não são racistas estão identificando com a minha candidatura, que eu irei representar 59% dessa população, que até hoje Minas Gerais nunca teve um candidato negro de um partido de centro, quer dizer, nós estamos furando a bolha," disse.

A pergunta partiu de um dado citado pela entrevistadora: cerca de 22% a 26% das cadeiras do Senado foram ocupadas por pretos e pardos na última década, patamar que ela chamou de baixo diante do peso da população negra no Brasil.

Sobre propostas para ampliar a presença negra em espaços de poder, o candidato defendeu a participação da população negra dentro dos partidos, de qualquer orientação ideológica, como caminho para construir projetos sociais para a comunidade. Ao encerrar a entrevista, fez apelo direto ao eleitor.

"Peço a você, que são 59% da população, e você branco que não é racista, vote em mim e vamos lutar para combater o racismo, que o racismo é um mal que nós temos que acabar nos países e no mundo," declarou.