A Caixa Econômica Federal entra em greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10), com paralisação em 17 estados e no Distrito Federal. O Banco do Brasil tem parada parcial, decidida por 27 dos 99 sindicatos da categoria. Os bancos garantem que Pix, aplicativos e caixas eletrônicos continuam funcionando normalmente.
Por que a Caixa parou e o BB não
A diferença está na adesão de cada base sindical à proposta que os bancos apresentaram nesta rodada. Segundo o balanço das assembleias, na Caixa, 93 das 128 bases sindicais aprovaram a greve; no Banco do Brasil, apenas 27 dos 99 sindicatos decidiram parar.
No Banco do Brasil, 39 sindicatos aceitaram a proposta apresentada pelo banco, o dobro dos que decidiram parar. É essa diferença de adesão que faz da paralisação da Caixa uma greve nacional, e da do BB, um movimento parcial.
O centro do impasse na Caixa é o plano de saúde. A empresa quer elevar a contribuição do trabalhador de 3,5% para 5,5% do salário-base, e o valor pago por dependente pode subir dos atuais R$ 480 para até R$ 1.050, dependendo da idade.
No Saúde Caixa, o benefício que travou a negociação, o impacto no bolso do trabalhador é maior do que em rodadas anteriores. A Caixa diz manter o diálogo aberto com as entidades dos empregados e afirma seguir comprometida com a renovação do acordo coletivo.
No Banco do Brasil, a discussão central é a Participação nos Lucros e Resultados, fixada em 2,2% do lucro líquido, com reajuste real de 0,6% além da inflação. O banco também propôs um aporte de R$ 360 milhões ao pacote de benefícios.
O banco diz ter feito várias rodadas de negociação e que sua proposta foi aprovada em diversas assembleias.
A mobilização não é nova. Os bancários da Caixa aprovaram a greve por tempo indeterminado em assembleias no início do mês.
O movimento já havia chegado a 17 estados e ao Distrito Federal antes mesmo de a paralisação começar de fato nesta quinta.
| Estado(s) | Início | Bancos parados |
|---|---|---|
| Pará | 4/9 | Todos, exceto o Banpará |
| Maranhão, Rio Grande do Norte | 8/9 | Caixa e Banco do Brasil |
| Goiás | 8/9 | Só Caixa |
| Espírito Santo, Bahia, Sergipe | 10/9 | Caixa, BB e banco regional |
| Ceará, Paraíba, Piauí, Tocantins, Minas Gerais (região de BH) | 10/9 | Caixa e Banco do Brasil |
| Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, DF, Paraná | 10/9 | Só Caixa |
O que muda para quem usa o banco
Para o cliente, a rotina digital segue igual: Pix, aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos e pagamentos eletrônicos continuam funcionando durante a greve, segundo os próprios bancos. O que pode atrasar é o atendimento presencial nas agências dos estados parados.
Em Belo Horizonte, bancários da Caixa e do Banco do Brasil se reuniram desde a manhã em frente a uma agência no Centro. O ato foi organizado pelo Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região (Seeb/BH).
Hoje aqui a gente está surpreendido, porque a adesão dos bancários da Caixa e do Banco do Brasil está enorme.
A avaliação é do presidente do Seeb/BH, Ramon Silva Rocha Peres. O sindicato estima que 1.500 pessoas devem passar pelo ato ao longo do dia; na parte da manhã, o grupo já passava de 200 bancários.
O que acontece agora
O reajuste definitivo da Caixa deve ser confirmado nesta sexta-feira (11), e o Seeb/BH já marcou um novo ato para o mesmo dia em Belo Horizonte. Cada uma das 128 bases decide separadamente se mantém a paralisação ou retoma o trabalho, conforme a negociação local.




























