A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta semana o encerramento da recuperação judicial da Light, distribuidora de energia que atende 31 municípios do Rio de Janeiro. O processo, iniciado em maio de 2023, reestruturou R$ 11 bilhões em dívidas e teve aprovação de mais de 99% dos credores.
A crise da Light tem origem em furto de energia, nas ligações clandestinas conhecidas como gatos, inadimplência de clientes e custos judiciais que não eram reconhecidos na tarifa. Só em 2022, essas perdas somaram R$ 1 bilhão.
A alta dos juros encareceu a dívida, e uma determinação regulatória obrigou a devolução de R$ 2,8 bilhões aos consumidores na conta de luz.
Ao todo, o plano de recuperação pagou à vista mais de 27 mil credores com créditos de até R$ 30 mil. Também converteu cerca de R$ 2,2 bilhões em dívida em ações e somou um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão.
A dívida líquida da empresa caiu de mais de R$ 10 bilhões, em maio de 2023, para cerca de R$ 5 bilhões agora. É uma redução de quase 50% em três anos.
Num momento em que todo mundo só fala de RJ, tem uma companhia importante saindo da RJ — e saindo forte.
A frase é do CEO da Light, Alexandre Nogueira, ao comentar o fim da recuperação judicial.
A Fitch elevou a classificação de crédito da Light de D para BB na escala nacional, depois de já ter subido para B- na escala global em agosto. A empresa também prevê investir R$ 10 bilhões até 2030 na rede de distribuição.
O que acontece agora
A próxima revisão tarifária da Light está marcada para março de 2027. O tema é o reconhecimento de perdas de energia na rede, que pode somar R$ 30 milhões ao Ebitda a cada ponto percentual reconhecido a mais.
O CFO Leonardo Gadelha afirmou que o custo de novos financiamentos deve cair pela metade em relação ao período da recuperação judicial. A Light também prepara roadshows para reconectar com investidores.


























