A privatização da Copasa virou um dos principais pontos de atrito na disputa pelo governo de Minas Gerais neste início de setembro. Em campanha na Feira do Alterosa, em Betim, no domingo (6), o candidato Alexandre Kalil (PDT) atribuiu à venda da estatal os dias sem abastecimento de água em escolas de Belo Horizonte na semana anterior.
Segundo o Estado de Minas, Kalil declarou durante a caminhada:
Na semana passada, escolas de Belo Horizonte tiveram que fechar as portas para os alunos por falta de água. Foram sete dias sem abastecimento. Eu avisei que essa privatização não ia dar certo.
Para o candidato, "isso é que é gestão". Ele também disse que "eles venderam a Copasa para pagar a dívida, agora estão falando que vão fazer obra com dinheiro da Copasa" e prometeu cancelar a privatização se eleito.
A relação de causa e efeito entre a venda das ações e a falta de água é afirmação do candidato: não há avaliação técnica pública que estabeleça esse vínculo. A interrupção em bairros da capital em agosto foi atribuída pela Copasa a uma manutenção emergencial na rede. O espaço segue aberto à empresa e ao governo de Minas para manifestação sobre a declaração.
O governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição, defende a operação que concluiu à frente do governo. A Copasa valia R$ 7 bilhões no início da atual gestão, e 45% das ações foram vendidos por R$ 8,3 bilhões.
"O preço da companhia foi excepcionalmente mais alto do que o que ela tinha quando nós chegamos ao governo", disse Simões, segundo o Diário do Comércio.
A venda também serviu de garantia na renegociação da dívida de R$ 187 bilhões de Minas com a União, tema que já dividia os candidatos ao governo antes da disputa sobre o abastecimento de água.
O que dizem os outros candidatos
Ex-vereador de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo classifica o projeto que autorizou a venda, o PL 4.380/2025, como uma proposta fiscal, sem caráter social. Para ele, a proposta cabe em uma página e não trata de investimento, meta, qualidade ou tarifa.
Azevedo lembra que a Copasa atende 11,8 milhões de pessoas em 637 municípios mineiros, mas o estado ainda perde 38% da água tratada. Ele defende manter a empresa estatal, com o setor privado atuando por concessões e PPPs com metas fixadas em contrato.
Não é a primeira vez que Kalil usa a Copasa contra adversários. Em agosto, ele rebateu Patrus Ananias por dizer ter votado contra a privatização, decisão tomada pela Assembleia Legislativa de Minas, onde o petista, hoje deputado federal, não tem assento.
A crise de abastecimento citada por Kalil não é um fato isolado. Bairros de Belo Horizonte tiveram mais de dez dias sem água em agosto, o que levou a deputada estadual Lohanna França (PV) a protocolar ofícios cobrando explicações da Copasa e do governo.
"Água é um serviço essencial e não pode ser tratada apenas como um negócio", disse a deputada, para quem o tema deve continuar em pauta ao longo de toda a campanha eleitoral.
O que acontece agora
A disputa em torno da Copasa deve seguir aparecendo em atos de rua, no horário eleitoral e nos debates até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Um eventual segundo turno acontece em 25 de outubro, caso nenhum candidato tenha maioria dos votos válidos.













































































































