Três dias depois do vendaval que atingiu o estado do Rio de Janeiro na quarta-feira (29), mais de 26 mil clientes das concessionárias Light e Enel Rio continuavam sem fornecimento de energia elétrica neste sábado (1º). Os ventos chegaram a 105,5 quilômetros por hora no Aeroporto Internacional do Galeão e derrubaram 346 árvores.

A Light informou que cerca de 14 mil consumidores seguem sem energia, de um total de 1,1 milhão afetados pelo temporal. As ocorrências mais complexas se concentram em bairros da zona oeste da capital, como Campo Grande e Santa Cruz, e nos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Segundo a empresa, cerca de 1,5 mil profissionais foram reforçados nas ruas e geradores foram instalados em áreas de difícil atendimento para garantir fornecimento provisório. Os trabalhos incluem substituição de postes, cabos e outros equipamentos, além da remoção de árvores e objetos que caíram sobre a rede elétrica.

"Mais de 2 mil profissionais trabalham para reduzir número de clientes impactados pelo vendaval. As principais ocorrências de reconstrução da rede elétrica estão sendo executadas na Baixada Fluminense e zona oeste do Rio", afirmou o superintendente da Light, Bruno Rodrigues.

A Enel Rio disse ter restabelecido o fornecimento para 99,7% dos clientes atingidos, com cerca de 12 mil consumidores ainda sem luz na manhã deste sábado. Aproximadamente 1,3 mil deles estão em Paraty, na Costa Verde fluminense, onde a queda de árvores de grande porte exige reconstruir trechos da rede, com substituição de postes, transformadores e cabos. Em alguns locais, o serviço depende da retirada das árvores e da liberação de vias interditadas para permitir o acesso das equipes.

O rastro da quarta-feira

No pico do apagão, 1,1 milhão de clientes estavam sem energia na Grande Rio. No início da quinta-feira (30), ainda eram cerca de 279 mil apenas na área da Light, que operava com 800 equipes e mais de 2 mil profissionais nas ruas. O vento ultrapassou 100 km/h e chegou a 104 km/h em Angra dos Reis.

Pelo balanço divulgado na quinta-feira (30), dois homens morreram em Santa Teresa com a queda de um muro, e outras três pessoas morreram por descarga elétrica em uma residência na Cidade de Deus. Em Angra dos Reis, foram cinco atendimentos: duas vítimas do naufrágio de um taxiboat e três moradores. Além da zona oeste, Bangu, Anchieta, Tijuca, Catumbi, Jacarepaguá e Recreio estiveram entre os bairros mais afetados da capital.

Como pedir ressarcimento por aparelho queimado

A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e o Procon-RJ orientam que equipamentos danificados, alimentos perdidos por falta de refrigeração e outros prejuízos podem ser ressarcidos, conforme o Código de Defesa do Consumidor e as regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O pedido deve ser registrado na própria concessionária, informando data e horário aproximados da ocorrência e identificando o equipamento — marca, modelo e tempo de uso, quando possível.

A vistoria tem prazo de até um dia útil para geladeiras, freezers e outros aparelhos que conservam alimentos perecíveis ou medicamentos, e de até dez dias para os demais. O resultado precisa ser comunicado em até 15 dias quando o pedido é feito nos primeiros 90 dias após o dano, ou em até 30 dias nos outros casos, e o ressarcimento deve ser efetivado em até 20 dias. O consumidor tem até cinco anos para pedir. Os órgãos recomendam não descartar nem consertar o aparelho antes da análise e guardar protocolos, notas fiscais, laudos técnicos e orçamentos.