As estatais federais fecharam o primeiro semestre de 2026 com déficit primário de R$ 7,8 bilhões, de acordo com as estatísticas fiscais de junho divulgadas pelo Banco Central na sexta-feira (31), às 16h51.
O número é o pior resultado para o período desde o início da série histórica, em 2002, e supera o recorde anterior, de R$ 3,9 bilhões negativos no primeiro semestre de 2025 — ou seja, o rombo dobrou em um ano. Em todo o ano de 2024, o déficit havia sido de R$ 6,7 bilhões. No acumulado de 12 meses até junho, chega a R$ 10,4 bilhões.
Correios lideram, setor nuclear vem em seguida
Segundo levantamento da CNN Brasil, os Correios registram o maior déficit entre as estatais. Em segundo lugar aparecem as empresas do setor nuclear, lideradas pela Eletronuclear, seguidas por Infraero, Casa da Moeda e autoridades portuárias.
"O Correios é disparado o principal problema. Não existe nenhuma outra estatal com um déficit da mesma magnitude", afirmou à CNN o especialista em contas públicas Murilo Viana. A estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões.
A escalada ao longo do ano
O resultado vem piorando mês a mês. No primeiro trimestre, o déficit das estatais federais já era recorde, de R$ 4,4 bilhões — alta de 151,2% na comparação com o mesmo período de 2025. De janeiro a abril, somou R$ 5,9 bilhões, avanço de 117,2% em um ano. Até maio, estava em R$ 7,4 bilhões.
A metodologia do Banco Central não inclui Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES.
Considerando também as estatais estaduais e municipais, o déficit do setor público consolidado chegou a R$ 8,9 bilhões: as estaduais tiveram rombo de R$ 1,1 bilhão, enquanto as municipais registraram superávit de R$ 350 milhões. No mesmo pacote de dados, o Banco Central informou que a dívida bruta do governo geral atingiu 81,9% do PIB em junho.














