A conta de luz de agosto chega às residências brasileiras com bandeira tarifária amarela pelo quarto mês consecutivo. A confirmação foi feita na sexta-feira (31) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que manteve o acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos para todos os clientes ligados ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Na prática, uma residência com consumo médio de 200 kWh no mês paga R$ 3,77 a mais na fatura por causa da bandeira. A cobrança vale para consumidores residenciais, comerciais e industriais atendidos pelo sistema interligado.

Por que a bandeira continua amarela

Segundo a Aneel, a manutenção da cor reflete a estação seca. "A sinalização reflete condições menos favoráveis de geração de energia no país em razão do período seco, quando há redução nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas e necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado", informou a agência.

Os reservatórios ainda não estão em situação crítica. O sistema Sudeste/Centro-Oeste, o maior do país, opera com 63,06% da capacidade, e o sistema Norte, com 89,89%. No subsistema Sudeste, as afluências — o volume de água que chega aos reservatórios — estão próximas de 90% da média histórica. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) destacou que as chuvas na região Sul superaram em 150% a média histórica, o que ajudou a estabilizar os preços no sistema interligado.

O que significa cada bandeira

Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias mostra ao consumidor quanto está custando gerar a energia usada no país. Na bandeira verde, não há nenhum acréscimo. Na amarela, a tarifa sobe R$ 1,885 a cada 100 kWh. Na vermelha patamar 1, o acréscimo é de R$ 4,46, e na vermelha patamar 2, de R$ 7,87 pela mesma faixa de consumo.

A cor é redefinida todo mês. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reavalia as condições de operação do parque gerador, define a estratégia de geração para atender à demanda e projeta os custos que serão cobertos pelas bandeiras.

Em 2026, o país passou de janeiro a abril com bandeira verde e entrou na amarela em maio, onde permanece desde então. A bandeira vermelha, a faixa mais cara, não é acionada desde novembro de 2025.