O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo, deflagrou nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. Agentes cumprem mandados de busca e apreensão em sete estados, com apoio da Receita Federal.

A investigação apura suposta lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada ao setor de combustíveis, na compra da distribuidora Tobras, conhecida como Terrana.

Os mandados foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva.

As buscas ocorrem em SP, RJ, MG, GO, MT, SC e ES. Nenhuma prisão foi anunciada até a manhã desta quinta. A operação é só de busca e apreensão.

Segundo o GAECO, mais de R$ 120 milhões teriam circulado por empresas e contas de passagem antes de chegar à estrutura que comprou a Terrana. As pessoas por trás dos ativos seriam ocultadas por laranjas.

Entre os alvos das buscas estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, os irmãos André e Bruno Tupinambá, e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos. Freixo é delator do escândalo do Banco Master, negócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

O GAECO aponta Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", como chefes da organização. Nenhum dos dois é alvo de busca nesta fase.

Os dois já haviam sido denunciados pelo Ministério Público em setembro por outro esquema. A trama envolvia lavagem de dinheiro por meio de usinas de açúcar, como mostrou a TV Sim Brasil. É a segunda denúncia contra a dupla em menos de um mês.

O que o Banco Genial diz sobre a operação?

O Banco Genial diz que não figura como investigado na Carbono Oculto. Segundo nota da instituição, sua participação decorre de atuar como administrador fiduciário de um fundo específico, e que já prestou esclarecimentos às autoridades, com as quais colabora desde que soube dos fatos.

A instituição afirma atuar só como administradora fiduciária, função regulatória que fiscaliza o cumprimento de normas. Os ativos, diz o banco, são geridos por gestores independentes, sem participação do Genial nas decisões de investimento.

Não é a primeira vez que um fundo ligado ao Genial aparece na mira da Carbono Oculto. Em maio, a Justiça já havia bloqueado R$ 176 milhões de um fundo do Genial, a pedido da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP), na mesma investigação.

Foi a segunda grande ação do Ministério Público de São Paulo contra o setor de combustíveis em menos de 30 dias. Em agosto, o MP-SP também denunciou 16 pessoas por um esquema de adulteração com metanol.

Os alvos das buscas ainda podem se manifestar nos autos, e o Ministério Público segue analisando o material apreendido nesta quinta. Não há data prevista para uma denúncia formal nesta fase da investigação.