O Google afirmou nesta quinta-feira (24) que vai lançar, na semana que vem, o primeiro satélite do projeto Suncatcher, que testa chips de inteligência artificial em órbita. A missão embarca no voo compartilhado Transporter-18, da SpaceX, em parceria com a Planet Labs.
Serão testadas quatro TPUs (unidades de processamento tensorial), o chip de IA desenvolvido pelo próprio Google. O objetivo é avaliar como o hardware resiste ao lançamento, à radiação espacial e às temperaturas extremas da órbita baixa da Terra.
A radiação pode causar erros nos dados, as chamadas inversões de bits. Por isso, mesmo já tendo testado as TPUs numa instalação da Universidade da Califórnia, o Google diz que só um teste em órbita real mostra como os chips se comportam no espaço.
A ideia por trás do projeto é aproveitar a luz solar quase contínua em órbita para alimentar centros de dados de IA, que consomem grandes quantidades de energia, sem depender da rede elétrica terrestre.
O sistema de resfriamento combina tubos de calor com radiadores, já que não há ar para circular no vácuo.
Para sermos bem francos, não esperamos ter nada de fato operacional nos próximos anos.
A frase é do vice-presidente de pesquisa do Google, James Manyika. Ele comparou o projeto ao tempo que a empresa levou para desenvolver carros autônomos: quinze anos de pesquisa antes de qualquer resultado prático aparecer.
Quem mais disputa esse mercado?
O Google não é o primeiro a testar inteligência artificial em órbita. A rival Starcloud já rodou o modelo de linguagem Gemma, do próprio Google, numa GPU Nvidia H100 lançada ao espaço, a primeira vez que um chip desse porte processou IA fora da Terra.
SpaceX, Blue Origin, Amazon e startups do setor espacial também disputam posições nesse mercado, que pode movimentar trilhões de dólares nas próximas décadas. É a mesma corrida por infraestrutura que levou Trump e Xi a discutir terras raras nesta semana.
Especialistas dizem que o conceito ainda enfrenta desafios grandes: o custo de construir e lançar equipamento espacial segue altíssimo, e a tecnologia está a anos de qualquer operação comercial.
O que acontece agora
Depois do lançamento da semana que vem, o Google planeja outros dois satélites em 2027, para testar links de comunicação a laser entre clusters de computação em órbita.
A corrida por chips de IA já move a disputa entre gigantes como Alibaba.
Ela também pressiona o mercado de data centers de IA no Brasil.





























