O presidente Lula (PT) disse nesta quarta-feira (23) que vai acabar com as bets no Brasil e que os clubes precisam aprender a se financiar sem "lavagem de dinheiro". No dia anterior, o Grêmio fechou patrocínio de R$ 40 milhões com uma casa de apostas.

A fala foi feita em ato de campanha no Rio de Janeiro.

Lula quer endurecer as regras para jogos de azar on-line antes do 1º turno, em 4 de outubro, e a avaliação no governo é de que o tema tem apelo popular.

Por que Lula quer acabar com as bets?

Para o presidente, as apostas online financiam clubes com "dinheiro do pobre" e alimentam vício entre jovens ligados a algoritmos. Ele defende que os times migrem para o modelo de SAF.

Eu lembrei que o Santos do tempo de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe ganhou dois títulos mundiais e não tinha bet. O Flamengo em 81, o Corinthians, o Internacional, o São Paulo 3 vezes campeão. Em 58, 62, 70, 94 e 2002 fomos campeões do mundo sem bet. E o esporte era muito melhor do que agora.

Mais da metade dos 20 clubes da Série A tem casas de apostas como principais patrocinadoras, e estimativas de mercado apontam que a proibição pode retirar R$ 1 bilhão por ano do futebol brasileiro.

Não é a primeira vez que Lula mexe nas finanças dos clubes. Em agosto, ele já havia sugerido um "Desenrola" da Caixa para times endividados.

O que dizem os clubes contra a proibição?

Oito clubes da Série A, entre eles Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Santos, assinaram manifesto em 17 de setembro defendendo a publicidade do setor regulado. Para eles, o fim das bets legais só empurraria o apostador para o mercado ilegal.

O manifesto dos clubes diz que "o que o futebol entende que deve ser feito, com máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aprimorar os mecanismos de proteção ao consumidor, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado".

A disputa real não é se as apostas vão continuar, mas quem vai lucrar com elas daqui pra frente.

A tensão apareceu num flagrante. Um dia antes do discurso de Lula, o Grêmio fechou patrocínio de R$ 40 milhões com uma casa de apostas.

Os clubes já haviam se posicionado contra o fim das bets quando o governo discutiu a medida pela primeira vez, no dia 18 de setembro.

Lá fora, a Premier League inglesa optou por um meio-termo. Os clubes decidiram, voluntariamente, tirar as bets das camisas a partir da temporada 2026-27, mas mantiveram o patrocínio nas mangas.

Oito dos 20 clubes ingleses tinham apostas estampadas na camisa antes da mudança, menos da metade da proporção que Lula mira no Brasil.

O que decide o resultado dessa disputa?

O calendário aperta os dois lados. Lula quer fechar a medida antes do 1º turno, em 4 de outubro, na mesma semana em que o Grêmio prova que o dinheiro das bets ainda entra nos cofres dos clubes.

Entre os 75% de apoio popular à proibição e a dependência de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios, ainda não está claro qual lado vai ceder primeiro.