A Operação Carbono Oculto chegou à terceira fase nesta quinta-feira (24) e, segundo a Receita Federal e o Gaeco (MP-SP), já soma R$ 52 bilhões movimentados desde 2020 pelo PCC no setor de combustíveis. A fase mais recente mirou uma estrutura de R$ 11,6 bilhões que a investigação liga ao caso do Banco Master.
A operação começou em agosto de 2025 e já teve três fases. A primeira apontou mais de 1.000 postos de combustíveis com indícios de irregularidade em dez estados. A segunda, em maio deste ano, identificou cerca de R$ 26 bilhões em transações consideradas suspeitas pelos investigadores.
As apurações estão em curso. Não há condenação em nenhum dos casos citados nesta reportagem, e todos os investigados são presumidos inocentes até decisão judicial definitiva, como assegura o art. 5º, inciso LVII, da Constituição. O espaço permanece aberto para manifestação das defesas.
Segundo a força-tarefa, o esquema seguiria um padrão: capital do tráfico compraria grandes volumes de combustível, revendidos abaixo do custo com sonegação de ICMS e adulteração com metanol. O lucro seria reinvestido em empresas, imóveis, motéis e franquias, ampliando a presença do crime organizado na economia formal. Essa é a versão da investigação, ainda não submetida ao contraditório em juízo.
Levantamento da força-tarefa aponta R$ 7,6 bilhões sonegados em tributos ao longo do período apurado, valor que dá a medida do que teria deixado de chegar aos cofres públicos.
A movimentação que foi identificada na terceira fase da Carbono Oculto é de R$ 11 bilhões, por essas várias camadas da lavanderia, que virou parte do nosso sistema financeiro.
A avaliação é do ministro da Fazenda, Dario Durigan, em coletiva nesta quinta. Cláudio Ferrer, superintendente substituto da Receita Federal em São Paulo, reforçou o diagnóstico: "Toda essa movimentação por contas, bolsão, contas gráficas, fundos de investimento eram feitos dentro desse grupo", disse.
A ponte com o caso Master passa, segundo a investigação, pela gestora Reag Investimentos. O fundador dela, João Carlos Mansur, teria afirmado em depoimento que fundos da Reag foram usados em operações que serviriam para ocultar pagamentos atribuídos a Daniel Vorcaro, dono do Master. Vorcaro figura como investigado e não foi condenado; a atribuição é da apuração, não uma conclusão judicial.
| Fase | Data | O que a investigação aponta |
|---|---|---|
| 1ª fase | 28/08/2025 | R$ 52 bi (2020-2024) e 1.000+ postos em 10 estados |
| 2ª fase | 28/05/2026 | R$ 26 bi em transações suspeitas |
| 3ª fase | 24/09/2026 | R$ 11,6 bi (2021-2025) na estrutura ligada ao Master |
Já em maio, a primeira fase havia indicado que fundos ligados ao PCC cresceram 200% em um ano, sinal, para os investigadores, de como o dinheiro do esquema se espalharia pelo mercado financeiro.
A repercussão levou o ministro Flávio Dino a cobrar, à época, reestruturação da CVM para fechar brechas que teriam sido usadas pelo esquema.
A fase desta quinta tem entre os alvos um diretor do Banco Genial e Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado pela investigação como operador financeiro de Vorcaro. Ser alvo de medida judicial não implica culpa, e ambos não foram condenados.
O ponto em aberto
Em três fases e mais de um ano de investigação, a Carbono Oculto soma R$ 52 bilhões em movimentações apuradas e R$ 7,6 bilhões apontados como sonegados. A Receita Federal considera o recolhimento de tributos do setor historicamente pequeno diante desse volume.
A pergunta que fica é até onde a fiscalização consegue chegar antes de o dinheiro trocar de estrutura outra vez.





























