O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) viajou de Fort Lauderdale, na Flórida, a Brasília em 19 de janeiro de 2025 num jato que tinha entre os cotistas uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, segundo a revista piauí.
A aeronave é um Legacy 650 de prefixo PP-NLR. Segundo a piauí, é o mesmo avião em que o ministro do STF Alexandre de Moraes foi filmado desembarcando em agosto de 2025, no Aeroporto Santos Dumont, fato revelado semanas atrás pelo jornal O Globo.
A dona formal do jato era a Fraction 024, com capital dividido em três partes iguais. Uma pertencia ao advogado Willer Tomaz, investigado por fraudes no INSS; outra, ao empresário Laércio Cosentino, fundador da TOTVS.
A terceira cota foi comprada pela Prime You no fim de 2024, antes da viagem. Vorcaro foi sócio da Prime You entre 2021 e setembro de 2025, segundo dados da empresa citados pela revista.
Também estavam a bordo a mulher do senador, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas do casal. A piauí diz ter identificado o avião cruzando dados de tráfego aéreo, planilha de pousos e decolagens e o Registro Aeronáutico Brasileiro.
A viagem foi revelada na semana passada pelo O Globo, a partir de registros que a Polícia Federal localizou ao investigar fraudes no INSS. Ela coincidiu com as negociações para que Vorcaro financiasse o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O cronograma do financiamento previa um primeiro repasse de US$ 2 milhões em 20 de janeiro, um dia após o desembarque em Brasília.
Flávio é investigado no STF nesse inquérito, para o qual Vorcaro pagou ao menos R$ 65 milhões, segundo o Intercept Brasil e a piauí.
Questionado neste mês sobre novos repasses de Vorcaro à produção do filme, Flávio evitou detalhar valores. "Essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente. Tem que perguntar para a produtora, gente. Desculpa", disse o senador, segundo o Correio Braziliense.
Ele reconheceu saber do status de investidor de Vorcaro, mas repetiu que a resposta cabia à produtora.
Em nota anterior, a campanha havia classificado o episódio como "um filho buscando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai", sem dinheiro público envolvido.
Nesta quarta, a campanha de Flávio pediu ao ministro André Mendonça, do STF, que Lula seja investigado sob suspeita de ter atuado em favor de Vorcaro. A Presidência nega que o presidente tenha recebido presentes ou enviado recados ao ex-banqueiro.
O senador já havia criticado Moraes nas redes sociais depois que o vídeo do desembarque veio a público: "Moraes é o principal responsável por Lula voltar à cena do crime", escreveu.
O senador e a defesa de Vorcaro não responderam aos pedidos de entrevista da piauí.
O mesmo avião reuniu, em momentos diferentes, a família do principal adversário de Lula e o ministro que hoje decide processos ligados ao pai do senador.
O que acontece agora
Cabe a André Mendonça decidir se abre a investigação contra Lula pedida pela campanha de Flávio. O caso soma-se a outras frentes.
Flávio já acionou o STF contra Lula por causa da relação com Vorcaro.
O ministro Fux, por sua vez, deu 10 dias para o Senado explicar o acesso de Vorcaro às suas dependências.
A Polícia Federal já adiou duas vezes o depoimento do próprio Vorcaro no inquérito sobre o financiamento do filme.





























