O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (24) que o americano Donald Trump vai perder se tentar interferir nas eleições brasileiras. A declaração veio durante comício em São Gonçalo (RJ), a dez dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Esse país que eu tenho dito para o Trump que, nas eleições daqui, se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições. A gente não vai aceitar a ingerência de ninguém.
Lula fez a declaração ao lado dos candidatos que apoia no Rio: Eduardo Paes (PSD) ao governo do estado, e Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD) ao Senado.
A fala repete o tom usado por Lula dois dias antes, na abertura da Assembleia Geral da ONU, quando defendeu a soberania brasileira antes do discurso de Trump. Sem citar o americano nominalmente, o presidente disse que "a democracia brasileira pertence aos brasileiros".
Não é a primeira advertência de Lula a Trump sobre o pleito. No início de setembro, o petista já tinha dito ter avisado o americano, em conversa direta, que o Brasil não aceita ingerência nas eleições.
Os dois presidentes também conversaram por telefone no fim de agosto, quando Trump perguntou sobre a votação de outubro. Segundo interlocutores da diplomacia brasileira ouvidos pelo g1, o americano não questionou as urnas eletrônicas nem o sistema eleitoral. Foi só isso.
Na véspera (23/9), em ato com artistas no Rio, Lula disse estar "ganhando" de Trump na narrativa. Criticou o americano por se colocar "como se estivesse ameaçando todo mundo".
Sobre a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, afirmou que o Brasil não precisa de intromissão americana porque "nós sabemos nos cuidar".
Análise publicada pelo colunista Luiz Carlos Azedo, do Correio Braziliense, descreve Trump, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como o tripé da oposição a Lula na corrida de 2026.
No retrato do colunista, o americano pesa pela pressão tarifária, Bolsonaro é a base do eleitorado bolsonarista e Tarcísio desponta como pré-candidato de centro-direita.
A retórica em torno de Trump já vinha sendo usada como munição eleitoral. Em setembro, o PT recorreu ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos para tentar reduzir a distância de Tarcísio nas pesquisas em São Paulo.
O que acontece agora
A eleição geral está marcada para 4 de outubro, com segundo turno no fim do mês caso nenhum candidato vença no primeiro. Lula segue em agenda de campanha nos dez dias que restam.
O presidente já voltou a criticar Trump em outro ato nesta mesma semana.





























