O presidente Lula (PT) cobrou, nesta quinta-feira (24), investigações mais amplas do STF sobre o Banco Master, em agendas no Rio de Janeiro. Ele discursou ao lado do prefeito de Piraí, Luiz Fernando Pezão (MDB), ex-governador fluminense que ficou preso em 2018.
Na agenda de campanha em São Gonçalo, ao lado do candidato ao governo do Rio Eduardo Paes (PSD), Lula cobrou investigações amplas sobre o Banco Master e afirmou:
Falta muita gente a ser preso. O processo está apenas está começando. Eu quero saber quem participava das putarias deles. Porque era muita coisa errada, era muita festa. Era gente que vinha do estrangeiro. Cada vez aparece o nome de uma pessoa. E essa gente precisa ser investigada.
Sobre o Supremo, ele foi direto: "Não podemos permitir que a Suprema Corte brasileira fique sob suspeita. A verdade tem que vir a público. Vamos deixar todo mundo ser investigado para que a gente possa punir de acordo com os crimes que cometeram", disse.
Em Nova Iguaçu, o caso Master voltou à tona: "Quem é amigo do presidente é o povo, não é o Vorcaro. Não é o dono do banco Master", disse Lula, em referência a Daniel Vorcaro, preso e suspeito de fraude bilionária.
Ao elogiar o governador interino Ricardo Couto, desembargador que assumiu o comando do estado após a renúncia de Cláudio Castro, Lula fez ataques indiretos a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário nas eleições.
Os dois candidatos já disputam outras frentes: o TSE aceitou uma ação de Flávio contra Lula sobre um desfile de Carnaval usado na propaganda eleitoral.
"Embora não tenha sido eleito, ele já pode dizer que é o governador de mais credibilidade na história do Brasil", disse Lula sobre Couto.
"Porque o cara que é eleito que fica assumindo compromisso com criminoso, fazendo compromisso com o crime organizado, fazendo compromisso com miliciano, entregando medalha para assassino... Ele não. Ele veio para cumprir uma missão: moralizar o estado do Rio de Janeiro", completou.
Quantos governadores do Rio já foram presos?
Cinco, não seis como Lula disse. As reportagens que acompanharam o evento listam Luiz Fernando Pezão, Sérgio Cabral, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Moreira Franco como os ex-governadores fluminenses que já foram presos em algum momento da carreira.
O deslize de contagem não muda o retrato: o Rio de Janeiro amargou uma sequência real de governadores presos nas últimas décadas.
Pezão, hoje prefeito de Piraí, foi preso em novembro de 2018, na Operação Boca de Lobo, acusado de receber propina em esquema liderado por Sérgio Cabral. Ficou detido até dezembro de 2019, quando o Superior Tribunal de Justiça revogou a prisão preventiva.
Em 2021, Pezão foi condenado a 98 anos, 11 meses e 11 dias de prisão pelos crimes da Boca de Lobo. Em 2023, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) o absolveu.
Não é a primeira cobrança do tipo. Em setembro, Lula já cobrou o presidente do STF, Edson Fachin, para que a crise no tribunal não afetasse a eleição.
No próprio Supremo, o ministro Gilmar Mendes pediu acesso ao celular de Vorcaro antes de julgar um colega de tribunal.
O caso Master segue sob investigação, e nenhum ministro do STF foi formalmente acusado até a publicação desta reportagem. Lula não citou nomes específicos de magistrados durante os dois eventos no Rio.





























