O Desenrola 2.0 ganhou um mês a mais. O Ministério da Fazenda publicou nesta sexta-feira (31), em edição extra do Diário Oficial da União, a portaria que prorroga o programa de renegociação de dívidas até 31 de agosto de 2026. O texto foi assinado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em decisão tomada em conjunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A edição atual do programa foi lançada em maio deste ano, com duração prevista de 90 dias, e se encerraria na próxima segunda-feira, 3 de agosto. O prazo extra serve para concluir negociações que já estão em andamento nos bancos.
A prorrogação não vale para todo banco
Há uma condição. Segundo a portaria, a extensão do prazo se aplica exclusivamente às instituições financeiras que tenham celebrado, até 30 de julho de 2026, no mínimo mil operações de crédito com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO) dentro do programa. Bancos abaixo desse volume não seguem no prazo estendido.
De acordo com o governo, a medida não terá impacto nas contas públicas, porque não exige novos aportes ao FGO — os recursos já estavam alocados no fundo. Ainda segundo o governo, o Desenrola já viabilizou a renegociação de mais de R$ 22 bilhões em débitos e alcançou mais de 9 milhões de famílias; com o mês adicional, a expectativa é chegar a cerca de 10 milhões.
Quem pode entrar e com qual desconto
O programa é voltado a quem tem renda de até R$ 8.105 (cinco salários mínimos) e dívidas de até R$ 15 mil por instituição. Entram débitos negativados contratados até 31 de janeiro de 2026 e em atraso entre 91 dias e dois anos, em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, Fies e crédito pessoal ou CDC não consignado.
Os descontos chegam a 90%, com juros de 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 vezes. A negociação pode ser feita pela plataforma acessada com a conta Gov.br em nível prata ou ouro, onde o devedor visualiza as ofertas dos credores, ou diretamente pelos canais de atendimento dos bancos e instituições em que a dívida foi contraída.
Entre os objetivos declarados da prorrogação estão facilitar a limpeza do nome nos órgãos de proteção ao crédito e integrar os beneficiários ao Move Brasil, programa de financiamento veicular. O crédito às famílias segue caro: segundo o Banco Central, os juros das famílias chegaram a 64% ao ano, em dado divulgado em 30 de julho.














