O estado de São Paulo chegou ao maior patamar de feminicídios da sua série histórica. Foram 141 ocorrências registradas no primeiro semestre de 2026, com 142 mulheres assassinadas em crimes motivados por violência de gênero, segundo dados do portal da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), divulgados na quinta-feira (30).

O total representa alta de 10% sobre o primeiro semestre de 2025, quando o estado contabilizou 128 registros e 129 vítimas. A série histórica começou em 2018, com 57 mortes registradas; a Lei do Feminicídio é de 2015.

Interior puxa a alta; capital registra queda

O crescimento não foi homogêneo. No interior, os registros saltaram de 70 para 96 entre janeiro e junho. Já na capital paulista, o total caiu de 31 casos no primeiro semestre de 2025 para 24 neste ano. Na Região Metropolitana, a queda foi de 27 para 21 casos.

Olhando apenas o mês de junho, o feminicídio também recuou no estado: foram 17 vítimas, contra 21 em junho de 2025.

Outros crimes contra a mulher sobem em junho

Os demais indicadores de violência contra a mulher, porém, apontam na direção oposta. Considerando apenas junho de 2026, segundo a SSP-SP:

Os registros de descumprimento de medida protetiva de urgência somaram 2.099 ocorrências, contra 1.702 em junho do ano passado — alta de 23,3%. Os casos de lesão corporal dolosa contra mulheres chegaram a 5.604, ante 5.069, avanço de 10,5%. As vítimas de estupro de vulnerável passaram de 719 para 848, os registros de perseguição subiram de 2.731 para 3.037 e as ocorrências de violência psicológica foram de 326 para 509.

A delegada Cristiane Braga, coordenadora das delegacias de defesa da mulher, afirmou que "cada denúncia recebida é uma oportunidade de interromper o ciclo da violência".