As estatais federais fecharam o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 7,8 bilhões, segundo dado divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central. É o pior resultado para o período desde o início da série histórica, em 2002.

O número de apenas seis meses já supera o rombo acumulado em todo o ano de 2024, quando o déficit das empresas estatais federais foi de R$ 6,73 bilhões. No acumulado de 12 meses até junho de 2026, o resultado negativo chega a R$ 10,4 bilhões. Em junho isolado, o déficit foi de R$ 0,04 bilhão.

Correios puxam o resultado negativo

A maior parte do rombo é atribuída aos Correios. A estatal registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e vem recorrendo a empréstimos: contratou R$ 12 bilhões em dezembro de 2025 e foi autorizada a buscar mais R$ 8 bilhões em financiamentos com garantia da União.

Governo projeta déficit até 2030

O cenário não deve melhorar no curto prazo. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, enviada ao Congresso Nacional, prevê que as estatais federais permaneçam no negativo até pelo menos 2030. Sobre os Correios, o documento afirma que a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026.

As projeções do próprio governo para o resultado das estatais federais indicam déficit de R$ 6,7 bilhões em 2026, R$ 7,5 bilhões em 2027, R$ 6,1 bilhões em 2028, R$ 5 bilhões em 2029 e R$ 5,7 bilhões em 2030.