O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o palanque da convenção do PT no Ceará, nesta sexta-feira (31), para tratar de interferência estrangeira na eleição brasileira. No Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, ele afirmou que não quer ajuda de fora na disputa.

"Enquanto eu viver, a extrema direita não voltará a governar esse país. E vou dizer mais: quem quiser ajudá-los, que venha. Se quiser vir o Trump, que venha. Se quiser vir o Milei, que venha", disse o presidente, em referência ao americano Donald Trump e ao argentino Javier Milei.

Na sequência, delimitou de onde espera apoio: "Eu não quero ajuda de fora, a única ajuda que eu quero é a ajuda do povo brasileiro para que a gente possa manter a democracia no país".

Educação, China e "arrogância"

Em outro trecho do discurso, ao defender investimento em educação, Lula sustentou que o Brasil precisa formar gente preparada para "competir com a China e acabar com a arrogância de [Donald] Trump". O presidente defendeu que os brasileiros estudem inteligência artificial e matemática e afirmou que o país "não vai abaixar a cabeça".

"O brasileiro não deve inteligência a ninguém. Deus me fez com a cabeça desse tamanho não foi para colocar burrice aqui dentro, não. É para colocar inteligência", declarou.

Por que o Ceará

A convenção oficializou a candidatura do governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição, tendo como candidata a vice Gabriella Aguiar (PSD), atual vice-prefeita de Fortaleza. O evento estava marcado para sábado (1º), mas foi antecipado para sexta-feira justamente para contar com a presença de Lula.

O estado é considerado estratégico para o PT, que ali enfrenta ameaça à sua hegemonia com a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) — cuja convenção está marcada para 1º de agosto. Antes do evento partidário, Lula visitou o Hospital Universitário do Ceará, no bairro Itaperi. A convenção nacional que deve oficializar a candidatura do presidente à reeleição está marcada para domingo (2).