A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou nesta sexta-feira (31), sem restrições, a aquisição pela American Airlines de participação minoritária e de determinados direitos de governança na Azul.

No parecer publicado nesta sexta, o superintendente-geral Felipe Roquete concluiu que, em todos os mercados relevantes avaliados, a concorrência efetiva e potencial já existente é suficiente para mitigar o risco de que as empresas usem o poder de mercado decorrente da operação de forma anticompetitiva, em prejuízo de passageiros e concorrentes.

A decisão ainda não é definitiva

O aval da área técnica não encerra o caso. A operação pode ser levada ao tribunal administrativo do Cade por avocação de um conselheiro ou por recurso da Abra, controladora da Gol, admitida como terceira interessada no processo em julho — depois de ter um primeiro pedido negado em maio. Passados 15 dias sem que nada disso ocorra, a aprovação se torna definitiva.

A Abra sustenta que o negócio suscitaria preocupações concorrenciais relevantes, sobretudo pela criação de mecanismos que reduziriam a rivalidade no corredor Brasil-Estados Unidos e pelo risco de coordenação entre American e United na governança da Azul. Sobre o argumento de que a exclusividade beneficiaria economicamente a American, Roquete respondeu que não cabe à autoridade antitruste definir com quem um agente deve contratar e que não há incentivos claros para a companhia norte-americana adotar a Azul como parceira única no Brasil.

Dois sócios estrangeiros e a saída do Chapter 11

As empresas notificaram o ato de concentração ao Cade no início de abril, cerca de dois meses depois de o plenário do órgão aprovar o aumento da fatia da United Airlines na Azul, que passou de 2,02% para cerca de 8%. Em dezembro de 2025, ao liberar a operação com a United em primeira instância, a Superintendência do Cade entendeu que o acordo não tendia a reduzir a concorrência, elevar preços ou prejudicar consumidores nas rotas atendidas pelas duas empresas.

O desenho anunciado em fevereiro previa aportes de US$ 100 milhões da American e outros US$ 100 milhões da United, além de uma oferta pública de ações de US$ 850 milhões (R$ 4,4 bilhões). Pelo arranjo divulgado à época, cada uma das duas companhias estrangeiras ficaria com 8% das ações da Azul. O acordo inclui ainda o compartilhamento de voos (codeshare), que permite às empresas ampliar a malha usando as conexões da parceira.

A Azul concluiu em 20 de fevereiro de 2026 seu processo de recuperação sob o Chapter 11 nos Estados Unidos, após nove meses. A companhia havia entrado no procedimento em maio de 2025, com cerca de R$ 35 bilhões de dívida bruta e alavancagem de 5,2 vezes; na saída, o indicador caiu para menos de 2,5 vezes. Na ocasião, o presidente da empresa, John Rodgerson, descartou uma fusão com a Gol e disse que a reestruturação eliminou a necessidade de consolidação como estratégia de saída.

A Azul é a terceira maior companhia aérea do país, com 28,9% do mercado brasileiro, atrás da Latam (39,9%) e da Gol (31,1%).