Onze presos fugiram da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal, na manhã desta sexta-feira (31). Segundo a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte (Seap/RN), a fuga ocorreu por volta das 5h30.

De acordo com a secretaria, os detentos removeram um vaso sanitário de concreto e alumínio da cela e escavaram uma passagem pela tubulação. Treze presos chegaram a deixar a cela pela abertura. Dois foram recapturados ainda no perímetro da unidade, segundo a Seap. Os outros onze escalaram o muro e escaparam.

A movimentação foi identificada por policiais penais pelo monitoramento das câmeras de segurança. Ao longo do dia, mais um dos foragidos foi recapturado, de modo que dez seguem procurados.

"Não foi um trabalho feito do dia para a noite"

O secretário estadual da Administração Penitenciária afirmou que a escavação não foi improvisada: segundo ele, o túnel "não foi um trabalho feito do dia para a noite". A Seap informou que forças de segurança realizam operações contínuas para localizar os fugitivos e que um procedimento administrativo vai apurar as circunstâncias do ocorrido.

A presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Norte (Sindppen-RN), Vilma Batista, afirmou que há apontados como lideranças de facção entre os que escaparam. "Alguns deles são considerados liderança do Comando Vermelho", disse. A informação foi confirmada pela Seap/RN.

Sindicato cobra estrutura e efetivo

Para a entidade, a fuga expõe problemas estruturais do sistema prisional potiguar. O sindicato aponta déficit de policiais penais, câmeras que não funcionam adequadamente, guaritas desativadas e equipamentos vencidos, o que dificulta o monitoramento das unidades.

"Para nós policiais penais, é muito triste, muito frustrante, tendo em vista que toda a responsabilidade só cai em cima de quem está lá na ponta", declarou Vilma Batista.

Não é a primeira fuga registrada no município neste ano. Em 2 de maio de 2026, cinco presos escaparam da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, também em Nísia Floresta, e a Seap informou à época que as circunstâncias estavam sendo apuradas. Alcaçuz é a unidade onde, em 2017, um confronto entre facções deixou 26 mortos, a maioria decapitada.